O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sábado, 27 de setembro de 2014

IV SC 07 - O FAROL DO CAMOCIM ANTIGO


Farol Trapiá - Camocim-Ce. 1968. Fonte: Marinha do Brasil

Esse era o nosso antigo farol, o sinalizador para uma chegada segura ao nosso porto e à nossa cidade via Oceano Atlântico. No final dos anos 1960, no entanto, a sólida casa do faroleiro que ficava ao lado, já estava em ruínas. Muitas histórias são contadas desse lugar ermo do Camocim de então que chegaram inclusive às páginas da literatura através da pena irretocável do nosso escritor maior Carlos Cardeal. Histórias de amores secretos e outros nem tanto, de assassinatos e até de assombrações aliados às lendas indígenas fizeram deste local, um ponto exótico e até maldito. É só conversar com moradores e pescadores mais velhos que eles sempre terão uma história para contar sobre o nosso antigo farol. Hoje, no entanto, a força dessas histórias e lendas vão perdendo sua força. No local, um outro farol foi construído e é mantido pela Marinha do Brasil, guiando ao abrigo do continente nossos bravos navegantes. 




terça-feira, 23 de setembro de 2014

IV SC 06 - O LIVRO DIDÁTICO DE CAMOCIM

Capa do Livro Historiando Camocim. Autor: Luis Carlos Lima.
Foto: Robervaldo Monteiro


             Inicialmente, gostaríamos de pedir licença aos leitores para publicarmos algo relacionado á nossa pessoa, posto que a intenção do blog é registrar e interpretar fatos da história de Camocim. Todavia, o assunto de hoje acaba por conter essas duas dimensões e ficou impossível não falar de um projeto que acalentamos durante muito tempo e que agora vem à lume. Trata-se do Projeto Historiando Camocim que tem como finalidade maior a elaboração de um livro didático sobre a História de Camocim. Efetivamente, amanhã, 24 de setembro de 2014, na 4ª CREDE, a partir das 8:00h, estaremos prestando contas desse projeto junto aos professores de história da rede municipal de ensino, gestores e demais autoridades, apresentando e entregando o resultado final em sua primeira versão. No entanto, é preciso historicizar um pouco este momento. Depois de algumas tentativas frustradas junto a quem de direito em tempos passados, apresentamos nosso projeto à atual administração através da Secretaria da Educação que de pronto sinalizou positivamente. Feitos os procedimentos burocráticos, lançamo-nos na formação da equipe e durante oito meses de trabalho, chegamos a uma versão final do que será o protótipo do  livro que será publicado e utilizado nas escolas municipais no próximo ano. Aliado a este trabalho, realizamos três encontros de formação com os professores da rede municipal no sentido de trocarmos ideias, receber sugestões e construirmos coletivamente o produto. Foram momentos ricos e interativos. Ainda teremos dois meses pela frente para fazermos os ajustes e detalhes finais, próprios da elaboração de qualquer obra literária. Voltando ao livro, o mesmo constará ainda de um Manual do Professor para auxiliar e orientar os docentes no desenvolvimento dos conteúdos. Por falar em conteúdo, a obra constará de seis capítulos a saber: Capítulo Primeiro - Origens Históricas; Capítulo Segundo - Estrutura Administrativa e Política; Capítulo Terceiro - Economia e Trabalho; Capítulo Quarto - Cotidiano e Cultura; Capítulo Quinto - Educação e Religião e Capítulo Sexto - Patrimônio Histórico e Cultural. Um aviso: este é apenas um livro e, por ser didático e destinar-se ao público específico do Ensino Fundamental II, tem suas limitações de conteúdo e espaço. Temos consciência de que muito da nossa história não foi contemplado por estes motivos. Portanto, aos professores deve servir, antes de tudo como mais um recurso para suas aulas, como ponto de partida para a descoberta e construção de outras histórias. Por fim, agradecemos a todos que contribuíram de alguma forma para que chegássemos ao intento pretendido e podermos dizer que finalmente Camocim tem seu livro didático.

sábado, 20 de setembro de 2014

IV SC 05 - PATRIMÔNIO FERRO PORTUÁRIO DE CAMOCIM - ÁREA DE PROTEÇÃO

Fonte: IPHAN/Ceará.



Na postagem anterior falamos do estudo que instruiu o tombamento do Complexo Ferro Portuário de Camocim. Hoje, falaremos sobre o que seria a área tombada prevista para a criação de um Parque Ferroviário dentro desse complexo, conforme mostra a foto acima. A área seria a circundada em vermelho na foto. No texto de instrução elaborada pelo Iphan temos:

Memorial descritivo de um imóvel situado na Esplanada de Camocim, Centro, no município de Camocim, pertencente ao acervo da Rede Ferroviária S.A.- RFFSA (extinta), patrimônio 1020008/8-000, denominado Esplanada Camocim, registrado no Cartório André- 2° Ofício, Matrícula 1.756, Livro 2- F, Fls. 35, de 30.06.1993, com desmembramento da área destinada alienação através de edital, conforme planta de situação em anexo, cujas confrontações são as seguintes: 

Ao Norte (Frente): Segmento 1-16, mede 36,00m, limita-se com a Praça Vicente Aguiar (anteriormente denominada 7 de Setembro); Segmento 14-15, mede 238,00m, limita-se com a Rua General Tibúrcio;

Ao Sul (Fundos): Segmento 9-10, mede 29,00; limita-se com a área a ser desmembrada, pertence a RFFSA; Segmento 11-12, a Rua Boa Vista (Bairro Salgadinho).

Ao Leste (Lado Direito): Segmento 1-2, mede 70,00m, Segmento 4-5, mede 16,00m, Segmento 5-6, mede 35,00m, segmento 6-7, mede 5,50m, Segmento 7-8, mede 81,00m, limita-se coma Rua dos Coqueiros e Segmento 10-11, mede 214,00m, limita-se com a área a ser desmembrada, pertencente a RFFSA.

Ao Oeste (Lado Esquerdo): Segmento 12-13, mede 22, 00m, Segmento 13-14, mede 160,00m, limita-se com a Rua 24 de maio.


No terreno encontram-se erigidas as seguintes edificações:
-       Estação Ferroviária de Camocim, com área construída de 2.104,24 m² , em bom estado de conservação;
-       Residência do Diretor Geral, com área construída de 439,87 m², em regular estado de conservação;
-       Residências do Inspetor, Agente e Mestre de Linha, com iguais áreas construídas de 194,36m² em regular estado de conservação;
-       Galpão atrás da Estação Ferroviária, com área construída de 393,62m², em precário estado de conservação;
-       Galpão à Esquerda da Estação Ferroviária, com área construída de 238,76m², em ruínas;
-       Oficinas, com área construída de 3.701,84 m², em ruínas;
-       Residência do Mestre das Oficinas, com área construída de 235,31m², em regular estado de preservação;
-       Caldeira, com área construída de 17,94m², em ruínas.

-       Almoxarifado com área construída de 1.005,72 m ², demolido.

Ainda segundo o documento, recomenda-se criação de um parque na área tombada. Na próxima postagem apresentaremos mais detalhes da proposta de tombamento.

Fonte para citação: Texto Base de Instrução de Tombamento. Iphan-CE, p.17.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

IV SC 04 - MESTRE CAZUMBI E O FUTEBOL DE CAMOCIM

Antonio Pereira da Silva - Mestre Cazumbi. Foto: camocimonline.com
Em Kimbundu, língua nativa da Angola, Cazumbi significa um "pequeno zumbi" ou "filho de Zumbi". É nome também de uma badalada banda de rock africana. Para nós camocinenses é sinônimo de um pequeno grande homem que viveu sua simplicidade ao extremo. Ele foi um verdadeiro Mestre, pois ensinou aos jovens de Camocim, o pouco e o tudo que sabia no futebol e na música. Tenho para mim que depois que o Campo do Maguary foi loteado pela especulação imobiliária, Cazumbi começou a morrer aos poucos. Mesmo assim, fez do Campo do Tapete Verde sua segunda casa. Em 2007 fui entrevistá-lo em sua casa e o encontrei lavando o uniforme do seu time. Entre lembranças, momentos de tristeza estampados no rosto, mas também de boas  gargalhadas, passamos boa parte da manhã conversando. Na saída, uma constatação, aquele homem estava precisando de quem conversasse com ele. Em sua homenagem reproduzimos o que escrevemos naquela oportunidade e que está no nosso livro "Entre o Porto e a Estação..." a ser lançado no próximo dia 24 de setembro em Camocim:
"Antônio Pereira da Silva, o Mestre Cazumbi, além de músico, tem uma trajetória ligada ao esporte. Hoje aposentado, ainda tem fôlego para toda semana treinar jovens em campos de terra da periferia. Contemporâneo de Sebastião Marques, ele fez parte de uma geração onde se destacaram outros trabalhadores jogadores como Quebrado, Passaqui, Canoé, Expedito leitão, Zé Olhim, Linha Fina, Zé Maria, Pepeta, dentre outros. Na saudação de um cronista local, treinado em seus tempos de adolescente pelo Mestre Cazumbi, constatamos a importância de seu trabalho junto à juventude camocinense:
 '... foi de tudo no futebol: chegou a ser técnico da nossa seleção, com um desempenho razoável. Quem não passou pelas mãos do velho Cazumba? Acho que toda garotada teve suas primeiras noções de jogar bola com o ‘Guerreiro’. (...) mas já não tem a mesma garra de outrora, porém continua sendo um grande exemplo de desportista para os jovens.' [1]
            Mesmo no alto de seus 76 anos, quase cego e sem poder andar muito, ainda vamos encontrar o Mestre Cazumbi tocando sua tuba nos eventos religiosos e festivos da cidade. Duas ou três vezes na semana, leva seu material de treino para o campo do Tapete Verde para não deixar o time do Maguary morrer. Mesmo sem o reconhecimento e apoio das entidades esportivas locais, ele continua sendo aquele tipo de pessoa que deixou o esporte entranhar nas veias, sendo o faz-tudo do seu time: dono, treinador e roupeiro."
            Ao Mestre Cazumbi, com carinho... descanse em paz!




FONTE: [1] “O Velho Cazumba”. Aradi Silva. O Literário. Ano III, Edição 18, julho de 2001, p.4. Camocim-CE. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

IV SC 03 - O PATRIMÔNIO FERRO´PORTUÁRIO DE CAMOCIM

Capa do Estudo para tombamento Federal do Complexo Ferro-portuário de Camocim. Fonte: IPHAN/Superintendência do Ceará.


Olhe bem para esta imagem! Imagine o mar chegando em dias de ressaca lamber os batentes da Estação Ferroviária; a orla marítima sem nenhum paredão a sufocar as ondas; os trabalhadores da beira da praia afundando os pés de pescadores no areal quente. É isto que a imagem nos traz imediatamente, esta orla quase virgem que se desabrochou para o mundo na passagem do século XIX para o XX. De lá para cá, várias intervenções foram feitas no espaço urbano de Camocim que se avolumou com a chegada da Estrada de Ferro de Sobral. Hoje, no século XXI, sobram resquícios, vestígios e memórias de um passado, que podem ainda ser ressignificados, preservados e até tombados. É isso de que trata o estudo feito pelo IPHAN em 2009 visando o tombamento federal do ficou convencionado como Complexo Ferro-portuário de Camocim. Como sabemos, do que restou, apenas a Estação Ferroviária de Camocim está tombada pelo patrimônio estadual do Ceará. Esta imagem é a capa do referido estudo, que pretendemos mostrar  e analisar numa série de postagens, com imagens inéditas.  O processo de tombamento está nesta fase de estudos e torcemos para que ele se conclua o mais rápido possível para que possamos ter um espaço revitalizado, reutilizado e ressignificado e, o mais importante, referenciador de nossa história recente.

domingo, 7 de setembro de 2014

IV SC 02 - OS DESFILES DE 7 DE SETEMBRO EM CAMOCIM

Instituto São José. Desfile de 7 de setembro. Rua 24 de Maio. Sentido norte-sul.Entre as ruas da Independencia e Alcindo Rocha. Arquivo: ISJ.

Um professor pergunta-me sobre o sentido dos desfiles de 07 de setembro na atualidade, talvez pensando que no dia seguinte terá que passar toda a manhã sob um sol escaldante representando sua escola e cuidando de um pelotão de alunos ou mesmo do sentido de comemorar a independência do Brasil. Respondo-lhe que o culto às datas nacionais faz parte de uma tradição de toda nação, embora que, de acordo com a construção do processo histórico, elas vão perdendo e adquirindo novos sentidos. Da mesma forma, perguntei para o professor qual seria a repercussão de não se fazer um desfile de 07 de setembro. Com efeito, não se vai mais às ruas no dia da Independência do Brasil com o mesmo sentimento de outrora. Muito potencializada no governo ditatorial dos militares pós-64, a data tinha uma outra significância durante o período. Até os desfiles escolares eram à feição da disciplina militar. Hoje, vejo mais como uma apresentação das escolas com um tema gerador, diria mesmo um enredo, e seus projetos pedagógicos. Os significados simbólicos que remetem à data da nossa independência ficam em segundo plano. Nos anos 1970, quando eu desfilava, a Parada de 07 de setembro era um "acontecimento" na cidade. Desde cedo, os Sonoros Pinto Martins enchia a cidade com seu som a toda potência com hinos e marchas militares. Em cada escola, a concentração dos alunos e os últimos detalhes eram checados, afinal, apresentar-se bem poderia trazer para a escola o título de campeã do desfile. As rivalidades, por outro lado, faziam com que os alunos se compenetrassem na marcha, batendo forte o pé direito no calçamento quente no ritmo dos tambores. Mesmo sendo uma escola pública, o João Ramos rivalizava com a escola particular do Instituto São José e quase sempre perdia. No quesito elegância, o SESI era rival do CSU, ao desfilarem o colorido de suas agremiações representadas por times de futebol do estado e do país. Quadros vivos da nossa história iam às ruas em carros alegóricos. Quase sempre tinha um D. Pedro I num cavalo ou uma Princesa Isabel rodeada de escravos. Era assim os desfiles de outrora. O que não muda é a batida dos tambores que puxam os desfiles. Mas, se você quiser conferir os novos sentidos, saia de casa e observe. Para mim, qualquer que seja a motivação do presente, estou lá para ver e interpretar, além do que, de vez em quando aparece uma surpresa nos desfiles que escapam à organização, ou mesmo à ordem, palavra muito forte que frequentou os desfiles do passado.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

IV SC 01 - O ABASTECIMENTO D'ÁGUA DE CAMOCIM

Jornal Brazil Livre. Agosto de 1925. Sobral-CE.

Desde 1925 que a Prefeitura de Camocim procurava dotar a cidade de um sistema de abastecimento de água.

O ano era 1925. O prefeito, Francisco Nelson Pessoa Chaves. A notícia era a publicação da Lei Nº 100, de 20 de agosto de 1925. Por esta lei, a  administração municipal aprovava e ampliava o contrato de abastecimento d'água da cidade com o concessionário Manoel Pinto Filho. Aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito, a tal lei privilegiava o tal concessionário ou empresa desde que os mesmos organizassem o abastecimento d'água, inclusive do porto, o que demonstra a importância desse espaço de trabalho para a cidade. Interessante notar nesta lei a dispensa de caução por parte do concessionário, desde que o material usado para o abastecimento d'água não pudesse "ser transferido definitivamente a ninguém sem assistência do município". Este fragmento da lei dá pistas sobre um primeiro tipo de sistema de abastecimento, embora que a publicidade da lei no jornal sobralense Brazil Livre não ofereça mais detalhes sobre como o mesmo era feito, como por exemplo, se a água era encanada. Como se sabe, o abastecimento d'água dessa forma e mais abrangente, ligado ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) só foi implantado no começo dos anos 1960. De qualquer forma, a publicação dessa lei mostra que a preocupação com o abastecimento d'água é antigo.