O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

MARIA COELHO - A MAIS BELA DE CAMOCIM

Maria Coelho. Camocim, 1922. Fonte: A Noite 

No dia 4 de maio de 1922 o jornal carioca "A Noite" estampava na primeira página a foto da mais bela camocinense, Maria Coelho. A escolha da referida senhorita foi por conta do concurso "Qual a melhor mais bella do Brasil?" patrocinado por aquele periódico. Naquele tempo era corriqueiro este tipo de concurso promovido pela imprensa. No nosso caso, a escolha foi organizada pelo Camocim Jornal gerenciado por Horácio Pessoa. Diz a nota:

Na cidade cearense de Camocim acaba de merecer o título de mais bella a senhorita Maria Coelho de accordo com a apuração de nossos prezados colegas do Camocim Jornal que encerraram aquella prova local nos primeiros dias de abril ultimo, não sem grandes dificuldades, devido a índole modesta dos cearenses, que não encontram em geral, maior enthusiasmo nesses certames.

Na matéria jornalística figuram ainda os resultados das mais belas de várias cidades por onde o concurso era realizado, como se dizia antigamente, do Oiapoque ao Chuí. Não sabemos se a nossa "maior beleza da cidade", a "formosura cearense" consegui avançar nas outras etapas do concurso, mas ficou o registro da beleza feminina que ainda hoje caracteriza nossa cidade. Quem conheceu Maria Coelho pode confirmar o que disse o jornal? Comentários para o blog.




Fonte: A Noite, Rio de Janeiro, RJ. Ano XI, 04 de maio de 1922, p.1. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

OS CARNAVAIS DE OUTRORA - PARTE III

Bloco do Treco. Camocim-CE.1967.  Fonte: Arquivo Aroldo Viana.

Das lembranças que tenho do carnaval de rua de antigamente em Camocim, uma que não me sai da cabeça é o Bloco dos Marítimos, puxado pelo incansável Saraiva e seu apito ensurdecedor. Ficar nas calçadas e janelas da Rua do Egito para ver os blocos passarem era a minha maior diversão.
Na postagem de hoje o destaque é para o Bloco do Treco (foto) que animou as ruas e os bailes nos anos 1960. Referido bloco era formado por rapazes e moças de classe média. Segundo um dos seus ex-integrantes, Aroldo Viana, o maior rival deles era do Bloco dos Marítimos. Nesta mesma época tinha ainda os blocos: “Odaliscas do Rei Salomão, Vai-quem-quer, Não dô cavaco, Bloco do Zorro, Os Intocáveis, União, Zombando do Azar, dentre outros.
Ainda sobre o carnaval de rua, ficou para a posteridade uma crônica do saudoso escritor camocinense Arthur Queirós, da qual reproduzimos este trecho:

 No carnaval de outrora, em Camocim, apareciam muitos blocos populares, carnaval de rua. Eram de estivadores, dos portuários, dos salineiros, dos pescadores, dos marítimos e vários outros, que recebiam até, estímulo da prefeitura, mediante premiação aos que melhor se apresentassem, mediante a classificação de criteriosa comissão julgadora.

Portanto, vários blocos foram fundados e animaram o período momino sem esquecer do onipresente "Bloco dos Sujos" que, segundo ainda nosso cronista, os foliões “[...] passavam tisna de panela no rosto todo, nessas ruas todas e iam parar lá na casa de João Luís de França, que tinha o nome de rua do Suvaco, imagina que nome, e ali era a farra". 
Bom carnaval e que nos divirtamos em paz.

Fontes:QUEIRÓS, Artur. Coisas e fatos. O Literário, Ano II, edição 8, fevereiro de 2000, p.3. Camocim-CE. 
 VIANA, Aroldo. Bloco do Treco. O Literario, Ano IV, edição 04, julho-agosto/2002 p.4. Camocim-CE. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

OS CARNAVAIS DE OUTRORA EM CAMOCIM - PARTE II

Carnaval de Camocim. 1929. Fonte: O Malho. RJ.


Carnaval não é somente a folia liberada e supostamente democrática. A festa carnavalesca também é uma prática social da divisão de classes. Rememorando os antigos carnavais de Camocim, nosso amigo Euclides Negreiros nos diz que no centro da cidade e somente nele “[...] tinha os corsos, carro aberto, sentado em cima da capota, passava pelas calçadas jogando serpentinas e confetes, mas só no centro,[...] onde morava o pessoal da sociedade, aí no centro, os ricos e hoje trafegam todo mundo... era tudo dividido”.
  
Já na periferia "a rua ficava repleta de papangus, em frente ao depósito de cachaça do ‘seu’ Sebastião. Mas, eram apenas papangus, alegres e esmolambados em suas fantasias baratas do carnaval irreverente do povão." 

Independente do local, festa é que não faltava e parece não faltar ainda. Na foto acima, um flash de uma espécie de carro alegórico com moças e rapazes em trajes mominos posando para um fotógrafo à beira mar com os mangues e a Ilha do Amor ao fundo.

Fontes: Revista O Malho,Rio de Janeiro, ed.1399, p.72. 
Sr.Euclides Negreiros, aposentado da Marinha do Brasil, 90 anos, 2007. Camocim-CE. Entrevista dada ao autor.
 TRÉVIA, José Maria S. Uma janela para o passado. Contos. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora Ltda. 2007, p.12.

sábado, 30 de janeiro de 2016

OS CARNAVAIS DE OUTRORA EM CAMOCIM - PARTE I

Bailarinas do Carnaval de Camocim. 1925. Fonte: O Malho. RJ.


Neste "sábado magro", a expectativa de mais um período momino mexe com as pessoas. Os historiadores não passam ao largo desta festa da carne. Revirando o baú, encontramos alguns flashes que irão alimentar as postagens do blog até o "sábado gordo" chegar. Afinal de contas, historiador também curte uma bagunça e aproveita para estudá-la também. 
Hoje mostraremos como um sexteto de moças da década de 1920 se vestiram para brincar no reinado de Momo. Se na linguagem de hoje, "causar", principalmente no carnaval é colocar quase nenhuma roupa, na legenda da foto acima o verbo já era usado quase neste sentido: "Grupo de bailarinas que muita alegria causaram em Camocim, no Ceará, durante o último Carnaval".
Com certeza, àquelas bailarinas não estão mais vivas, mas, fica o desafio para os mais idosos identificarem nossas folionas que ganharam as páginas da revista carioca O Malho naquele ano de 1925.

Fonte: Revista O Malho,edição 1183, p.39. Rio de Janeiro, RJ.







sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

CAMOCIM FOOT BALL CLUB

Camocim Foot Ball Club. 1913. Fonte: O Malho.RJ

A história do futebol em Camocim é mais antiga do que imaginamos. Em postagem anterior enfocamos o Palmeira Foot Ball Club fundado em 17 de dezembro de 1918 e que treinava num terreno da Rua Humaitá. Pois bem, desta vez trazemos um clube que talvez seja o pioneiro em nossa cidade, o Camocim Foot Ball Club, segundo a foto acima, publicada em 1913, portanto, cinco anos antes do surgimento do Palmeira. Sem maiores informações, a foto foi veiculada na Revista O Malho do Rio de Janeiro e traz o segundo team da agremiação, aquilo que chamávamos antigamente de "segundo quadro", "aspirantes", "juvenil" e etc. Hoje são chamados de categorias de base, sub-15, sub-17, sub-20, sub isso, sub aquilo. Não sabemos os nomes dos players ou dos jogadores de outrora, no entanto, a foto nos revela o estilo de uniforme da época e os rostos dos moços e outros nem tanto daquele time que levou e elevou o nome de nossa cidade Brasil afora, pelo menos nas páginas da revista de circulação nacional da época. Quem seriam os rapazes do primeiro team? A pesquisa continua! Aos poucos vamos recuperando a história do nosso futebol.

Fonte: Revista O Malho, Ano XII, 26 de abril de 193, edição 554, p.23.

sábado, 23 de janeiro de 2016

CAMOCIM NA ROTA DOS RAIDS AÉREOS. O CASO DO AVIADOR ESPANHOL JUAN POMBO


Detalhe do desastre aéreo de Juan Pombo em Camocim. 1935.

Camocim não é apenas o berço do aviador Pinto Martins. No tempo em que a aviação era para os aventureiros, a cidade era um ponto de abastecimento de pequenas e médias aeronaves e roteiro dos grandes raids-aéreos de então. Os camocinenses das primeiras décadas do século XX presenciaram a passagem de vários aviadores e seus aviões, assim como de alguns desastres, como o que aconteceu com um dos pioneiros da aviação espanhola Juan Ignacio Pombo que àquela época fazia o raid Espanha-México. 
No plano inicial de voo, na época considerado ousado, o piloto espanhol "começou sua incrível incursão Santander-México, servindo o seguinte calendário:Santander voou para Burgos, Madrid, Sevilha, Agadir, Ifni, Cabo Juby, Villa Cisneros, Port-Etienne, Saint Louis (Senegal) e Bathurst (British Gâmbia). A 20 de maio de 1935, em 0:18 h Pombo decolou em seu avião "Santander" Bathurst (Gâmbia britânico) através do Atlântico para Natal (Brasil), em 18 horas e 15 minutos, 696 litros de gasolina e peso de 1,500 kg. Ele chegou em Natal para 18:05 horas, com 17 litros, tendo viajado 3,160 km, com a maior distância por uma aeronave leve sobre o mar.
Em seguida, Juan Ignacio Pombo parou em Belém do Pará (Brasil) e teve que fazer um pouso de emergência no aeroporto de Camocim, Ceará (Brasil) para perder tubo de gasolina e motor de passo. Após correção, ele tentou decolar, mas uma roda de engrenagem de pouso da aeronave entrou em colapso e derrubou praticamente sendo destruído. Pombo sofreu pequenas escoriações nas pernas. Foi fornecido com o material que permitiu a roda necessária para reconstruir o avião, doado pela British Klemm. Totalmente dispostos a aeronave, Pombo começou sua viagem para Paramaribo (Guiana Inglesa), Port of Spain (Trinidad) e Maracay (Venezuela). [...] continuou sua turnê com uma escala em San Salvador, Guatemala, Veracruz, Acapulco, Balbuena e, finalmente, cumprir o desembarque na Cidade do México em 16 de setembro de 1935. Ele tinha viajado 15,970 km em 76 horas e 5 minutos de vôo. Ele tornou-se o primeiro aviador espanhol na história que se juntou ao ar dois países. A colônia espanhola no México e do próprio governo mexicano receberam e o trataram como um herói. O avião "Santander" foi doado para a Cidade do México.


Em 2015 foi comemorado os 80 anos da façanha do aviador espanhol. Na época, a Revista da Semana publicou a foto do desastre que reproduzimos acima. Detalhe para a mata que margeava nosso então Campo de Pouso.





Fonte: Revista da Semana. Rio de Janeiro, 15 de junho de 1935. p.10.
Fonte: cuandovenezuelaestababiengobernada.blogspot.com.br

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

15 DE JANEIRO DE 1881, O PRIMEIRO TREM DE CAMOCIM




O 15 de janeiro é mais do que uma data!. Há exatos 135 anos era inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro de Sobral entre Camocim e Granja numa extensão de 24,5Km. Na mesma data foram inauguradas as duas estações das mesmas cidades. Naquele momento começava a saga de uma ferrovia que durou quase um século e que foi de grande importância para a economia regional e impulsionadora do surgimento e desenvolvimento de vários lugares por onde o trem passava. Camocim foi um exemplo disso. De simples distrito de Granja, um ano depois do início da construção da estrada já conseguia sua emancipação política em 1879. Conta-se que foi uma grande festa a partida do primeiro trem rumo à cidade de Granja puxada por uma Maria Fumaça. O Prof. André Frota de Oliveira relata em seu livro A Estrada de Ferro de Sobral que quando o trem se aproximava da Estação Ferroviária de Granja, alguns populares correram daquele "monstro" de ferro que soltava fumaça pelas narinas. Outros mais valentes enfrentaram o bicho mecânico jogando pau e pedras que restaram da construção da estação. Com o tempo todos se acostumaram com as velhas Marias Fumaças que no anedotário popular acabou virando poesia como a que transcrevemos abaixo, certamente presente na memória de velhos ferroviários:
Estação Ferroviária de Camocim. Fonte:www.estacoesferroviarias.com.br














Tem a Estrada de Sobral
Três máquinas corredeiras
Rocha Dias e Sinimbu
E Viriato de Medeiros
Essas três locomotivas
Quando corre tudo arromba
Quem tiver no seu camim
Elas mata com a tromba.

Fonte: Acervo de Itamar de Oliveira Lima. In:”A Estrada de Ferro, “símbolo da modernidade” numa terra flagelada pela seca. André Sousa Furtado.