O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

IV SC 03 - O PATRIMÔNIO FERRO´PORTUÁRIO DE CAMOCIM

Capa do Estudo para tombamento Federal do Complexo Ferro-portuário de Camocim. Fonte: IPHAN/Superintendência do Ceará.


Olhe bem para esta imagem! Imagine o mar chegando em dias de ressaca lamber os batentes da Estação Ferroviária; a orla marítima sem nenhum paredão a sufocar as ondas; os trabalhadores da beira da praia afundando os pés de pescadores no areal quente. É isto que a imagem nos traz imediatamente, esta orla quase virgem que se desabrochou para o mundo na passagem do século XIX para o XX. De lá para cá, várias intervenções foram feitas no espaço urbano de Camocim que se avolumou com a chegada da Estrada de Ferro de Sobral. Hoje, no século XXI, sobram resquícios, vestígios e memórias de um passado, que podem ainda ser ressignificados, preservados e até tombados. É isso de que trata o estudo feito pelo IPHAN em 2009 visando o tombamento federal do ficou convencionado como Complexo Ferro-portuário de Camocim. Como sabemos, do que restou, apenas a Estação Ferroviária de Camocim está tombada pelo patrimônio estadual do Ceará. Esta imagem é a capa do referido estudo, que pretendemos mostrar  e analisar numa série de postagens, com imagens inéditas.  O processo de tombamento está nesta fase de estudos e torcemos para que ele se conclua o mais rápido possível para que possamos ter um espaço revitalizado, reutilizado e ressignificado e, o mais importante, referenciador de nossa história recente.

domingo, 7 de setembro de 2014

IV SC 02 - OS DESFILES DE 7 DE SETEMBRO EM CAMOCIM

Instituto São José. Desfile de 7 de setembro. Rua 24 de Maio. Sentido norte-sul.Entre as ruas da Independencia e Alcindo Rocha. Arquivo: ISJ.

Um professor pergunta-me sobre o sentido dos desfiles de 07 de setembro na atualidade, talvez pensando que no dia seguinte terá que passar toda a manhã sob um sol escaldante representando sua escola e cuidando de um pelotão de alunos ou mesmo do sentido de comemorar a independência do Brasil. Respondo-lhe que o culto às datas nacionais faz parte de uma tradição de toda nação, embora que, de acordo com a construção do processo histórico, elas vão perdendo e adquirindo novos sentidos. Da mesma forma, perguntei para o professor qual seria a repercussão de não se fazer um desfile de 07 de setembro. Com efeito, não se vai mais às ruas no dia da Independência do Brasil com o mesmo sentimento de outrora. Muito potencializada no governo ditatorial dos militares pós-64, a data tinha uma outra significância durante o período. Até os desfiles escolares eram à feição da disciplina militar. Hoje, vejo mais como uma apresentação das escolas com um tema gerador, diria mesmo um enredo, e seus projetos pedagógicos. Os significados simbólicos que remetem à data da nossa independência ficam em segundo plano. Nos anos 1970, quando eu desfilava, a Parada de 07 de setembro era um "acontecimento" na cidade. Desde cedo, os Sonoros Pinto Martins enchia a cidade com seu som a toda potência com hinos e marchas militares. Em cada escola, a concentração dos alunos e os últimos detalhes eram checados, afinal, apresentar-se bem poderia trazer para a escola o título de campeã do desfile. As rivalidades, por outro lado, faziam com que os alunos se compenetrassem na marcha, batendo forte o pé direito no calçamento quente no ritmo dos tambores. Mesmo sendo uma escola pública, o João Ramos rivalizava com a escola particular do Instituto São José e quase sempre perdia. No quesito elegância, o SESI era rival do CSU, ao desfilarem o colorido de suas agremiações representadas por times de futebol do estado e do país. Quadros vivos da nossa história iam às ruas em carros alegóricos. Quase sempre tinha um D. Pedro I num cavalo ou uma Princesa Isabel rodeada de escravos. Era assim os desfiles de outrora. O que não muda é a batida dos tambores que puxam os desfiles. Mas, se você quiser conferir os novos sentidos, saia de casa e observe. Para mim, qualquer que seja a motivação do presente, estou lá para ver e interpretar, além do que, de vez em quando aparece uma surpresa nos desfiles que escapam à organização, ou mesmo à ordem, palavra muito forte que frequentou os desfiles do passado.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

IV SC 01 - O ABASTECIMENTO D'ÁGUA DE CAMOCIM

Jornal Brazil Livre. Agosto de 1925. Sobral-CE.

Desde 1925 que a Prefeitura de Camocim procurava dotar a cidade de um sistema de abastecimento de água.

O ano era 1925. O prefeito, Francisco Nelson Pessoa Chaves. A notícia era a publicação da Lei Nº 100, de 20 de agosto de 1925. Por esta lei, a  administração municipal aprovava e ampliava o contrato de abastecimento d'água da cidade com o concessionário Manoel Pinto Filho. Aprovada pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito, a tal lei privilegiava o tal concessionário ou empresa desde que os mesmos organizassem o abastecimento d'água, inclusive do porto, o que demonstra a importância desse espaço de trabalho para a cidade. Interessante notar nesta lei a dispensa de caução por parte do concessionário, desde que o material usado para o abastecimento d'água não pudesse "ser transferido definitivamente a ninguém sem assistência do município". Este fragmento da lei dá pistas sobre um primeiro tipo de sistema de abastecimento, embora que a publicidade da lei no jornal sobralense Brazil Livre não ofereça mais detalhes sobre como o mesmo era feito, como por exemplo, se a água era encanada. Como se sabe, o abastecimento d'água dessa forma e mais abrangente, ligado ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) só foi implantado no começo dos anos 1960. De qualquer forma, a publicação dessa lei mostra que a preocupação com o abastecimento d'água é antigo. 


IV SETEMBRO CAMOCIM

Logomarca do Projeto Historiando Camocim. Acervo do blog.

Caros amigos internautas e leitores do blog CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS, é com muita honra e orgulho que chegamos ao IV SETEMBRO CAMOCIM, um encarte anual de postagens que fazemos por ocasião do mês de aniversário de emancipação política do nosso município. Durante todo o mês publicaremos postagens inéditas sobre a história de Camocim, sempre com o intento de subsidiar as pesquisas acadêmicas e escolares dos nossos conterrâneos e amigos leitores do blog, além de fornecer sempre um fragmento da nossa rica história. Neste setembro, afora essa seção do blog, como historiador ainda ofereceremos dois produtos, frutos das nossas pesquisas. Primeiro, será a entrega da pesquisa do Projeto Historiando Camocim sobre a história local em forma de livro didático, que a Prefeitura Municipal de Camocim pretende adotar no currículo escolar do Ensino Fundamental II em 2015. Estamos finalizando o trabalho e breve entregaremos para publicação. O segundo será o lançamento do livro "Entre o porto e a estação: cotidiano e cultura dos trabalhadores urbanos de Camocim-CE. 1920-1970."  A referida obra é o resultado de nossa tese de doutorado defendida em 2008 na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicada pela Edições INESP/Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Breve estaremos divulgando a data do evento onde serão apresentados estes produtos para a comunidade camocinense.

Capa do livro "Entre o porto e a estação...". Acervo do blog.

Voltando à seção acima referida, a apresentação será a mesma das anteriores. Antes do título de cada postagem teremos a expressão IV SC e o número correspondente á postagem. Feliz aniversário para Camocim em seus 135 anos de emancipação política.


sábado, 23 de agosto de 2014

OS ESTRANGEIROS EM CAMOCIM. OS AMERICANOS

Continuando nossa série sobre a presença de estrangeiros em Camocim, hoje apresentaremos os americanos. Esse contato direto e indireto começa com as exportações de algodão e borracha através do nosso porto, no chamado "esforço de guerra", contexto da Primeira Guerra Mundial. Sintomaticamente, é no entre-guerras que se dá o boom econômico e cultural da cidade. Já na Segunda Guerra Mundial, os americanos cogitaram instalar em Camocim um Posto de Comando, que afinal se fixou em Fortaleza, visto que a capital proporcionava melhores condições logísticas. No entanto, uma pequena base militar foi construída como ponto de apoio para as manobras militares, abrigando um grupo de militares americanos. Contudo, a maior estrutura logística da capital, Fortaleza, suplantou a vantagem geográfica que Camocim apresentava com relação à distância atlântica do Brasil entre a Europa e África.[1] 
Base americana em Camocim. Acervo do blog.
Por outro lado, a presença dos americanos entre nós pode ser percebida pelas lembranças de antigos moradores. Segundo o Sr. Antônio de Albuquerque Sousa Filho, a cidade “se tornou ponto estratégico importante, atraindo soldados norte-americanos e com uma base onde chegaram a atracar Zepelins”. Em suas memórias, o antigo morador salienta um clima de colaboração entre os soldados americanos e a população local, no que se referei às trocas gastronômicas, cuja novidade eram “as saladas de frutas em lata que os americanos distribuíam com as famílias da cidade, que por sua vez lhes presenteavam bolos”.[2]
Relembrando os escritos do imortal Arthur Queirós, a presença de celebridades americanas, mesmo que  por algumas horas em solo camocinense, que cruzavam o Atlântico, nas frequentes paradas dos aviões da Panair, era um programa imperdível para os locais que tinham acesso. "Transitaram por Camocim, portanto, muitos notáveis, gente importante, do que mencionamos os artistas Henry Fonda (...) Greta Garbo, por aqui esteve por duas vezes, na última em 1943, exibindo-se para soldados e oficiais americanos aqui destacados, na Base Militar de apoio da segunda guerra mundial, que aqui construíram (...) transitaram ainda, Buck Jones, George O’Brien, Charles Starret, Sonja Henie e muitos outros... Dona Darcy Vargas, esposa do grande Presidente Vargas, por aqui transitou com destino à Norte América, ocasião em que muito aplaudida foi, pelos camocinenses. [3]
Outros americanos chegaram a habitar entre nós, notadamente missionários protestantes como Orlando Boyer e Mister Paul, dentre outros. É possível a existência de muitos outros em nossa longa história. Por hora, são estes que vem na nossa lembrança e que constam de nossos registros. 
 



[1] Descartada a proposta de um posto de comando, um pequeno número de soldados americanos foi destacado para Camocim para dar suporte a alguma manobra. Os mesmos ficaram abrigados numa pequena base militar construída para tal fim e nos hotéis da cidade. Informações prestadas pelo memorialista Artur Queirós.
[2] FILHO, Antônio de Albuquerque Sousa. Camocim do meu tempo. p.2.
[3] QUEIRÓS, Arthur. Idem.

domingo, 17 de agosto de 2014

O ENGENHO PERDIDO DE GRANJA ( OU CAMOCIM?)

Engenho dos Gouveias. Foto: Emanoel Reis

Esta postagem mostra como os leitores podem colaborar com nossa árdua tarefa de mostrar as coisas de Camocim, seja da cidade ou da zona rural. Recebo e repasso para todos um "achado" do nosso leitor Emanoel Reis. Trata-se das ruínas do que fora um antigo engenho de cana-de-açúcar localizado no povoado de Lusitânia, zona oeste de nosso município. Segundo o leitor que nos enviou várias fotos do local e uma descrição, o engenho funcionava numa "área de um grande  latifúndio pertencente a família dos ''Gouveias''. Logo associei uma coisa na outra, aquele  engenho pertencia a família dos ''Gouveias'' [...] depois conversei sobre o engenho com um  ex-morador da região, que tem 85 anos, perguntei-lhe  se ele sabia aproximadamente quantos anos tinha aquela construção, ele respondeu que sua família chegou naquela região em 1919 e seus pais relatavam que em 1919 já estava desativado [...]Conversei com outros moradores antigos, mas nenhum pode dar uma resposta conclusiva sobre a idade daquela construção, pois ela é mais antiga, que os pais dos moradores mas antigos, acredito eu que a idade cronológica daquele engenho coincida com o fim do Brasil colonial, imperial e a escravidão, mas até agora não tenho uma fonte contundente para afirmar que existiram escravos.  Outra coisa que descobri, é que aquele lugar era habitado por indígenas (Tapuios), e tinha o nome de "Tarraco'', mas com a colonização dos Gouveias, por meio da extração da madeira, monocultura e posteriormente da criação extensiva do gado, excluindo os indígenas do seu projeto de povoamento, o lugar passou a se chamar ''Lusitânia'', nome de origem Portuguesa".

Como se pode concluir, outras histórias poderão complementar a descoberta do nosso leitor. O fato de um engenho encravado no interior do município já revela uma proibição colonial, ou seja, plantar cana-de-açúcar próxima do litoral, além de confirmar a existência de terras férteis para a cultura da cana (massapê) em nosso município a ponto de justificar o funcionamento do engenho. Quando tivermos mais informações sobre este tema, voltaremos ao assunto.





     

quinta-feira, 31 de julho de 2014

OS ESTRANGEIROS EM CAMOCIM. OS INGLESES

Fonte: http://blog.liverpoolmuseums.org.uk/2007/12/maritime-tales-escape-to-the-sun/

Quando os marinheiros ingleses aportavam por aqui, gostavam de comprar macaquinhos e periquitos. O Sr. Euclides Negreiros em depoimento nos disse: “Quando eu era menino, subia nos navios para vender laranjas e soins para os marinheiros ingleses (...) eu pegava os macaquinhos, dava de comer e amansava para vender prá eles”.[1]. Mas os ingleses não foram somente compradores de espécimes da nossa fauna. Os mesmos estiveram aqui quando da construção da Estrada de Ferro de Sobral. Acharam bom o negócio que depois uma firma inglesa arrendou a ferrovia através da The South American Railway Construction Company Limited, entre 1910 a 1915.[2].
No entanto, a presença inglesa não ficou por aí. Nos anos 1940 a Booth Line,  empresa de navegação, explorou no Porto de Camocim o serviço de alvarengas,embarcações que faziam o serviço de embarque e desembarque dos navios em alto mar. À época, dizia-se que o porto de Camocim não tinha condições de receber  os navios, até que o comandante do Navio Aratanha em 1946 pôs por água abaixo essa mentira que durou mais de uma década, a qual era reiterada pelo prático da barra e a empresa inglesa, mas essa é uma história controversa que merece ainda ser melhor apurada. 

Notas:


[1] Soim é um pequeno macaco muito comum no território brasileiro. Entrevista com o Sr. Euclides Negreiros, marinheiro, 90 anos. 24 de abril de 2007. Camocim-CE.
[2] Para saber mais sobre a construção e o arrendamento da ferrovia, ver: OLIVEIRA, André Frota de. A Estrada de Ferro de Sobral. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora Ltda, 1994.