O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

sábado, 6 de dezembro de 2014

CAMOCIM NAS LEMBRANÇAS DE J. MACEDO

José Dias Macêdo.
Fonte: coisadecearense.blogspot.com
Ele está entre os maiores empresários do país. Sua história de sucesso é contada e recontada em livros, reportagens e documentários. Já tratamos da sua trajetória politica aqui no blog na série PARLAMENTARES CAMOCINENSES. Mas, o que liga a história e a figura de José Dias Macedo (J. Macêdo) à Camocim além de ter sido seu lugar de nascimento? Há quem diga, que o mesmo fez ou faz muito pouco pela sua cidade natal. Não quero entrar nesse mérito, afinal de contas um empresário do seu porte aprendeu onde e como investir seu dinheiro. Lembro ainda do seu discurso de inauguração do Colégio Georgina Leitão Macêdo quando pedia desculpas aos vizinhos pelos transtornos que a obra tinha provocado. Como bom negociante fez uma rápida referência, entre o cômico e o irônico, sobre os preços que teve de pagar por umas casinhas para que o empreendimento escolar pudesse ter aquela estrutura. Para mim,  importante é o fato de o grande empresário não negar suas origens, escrevendo nossa cidade na história empresarial e industrial do país. Do alto dos seus 94 anos, pelo menos as lembranças da infância são imorredouras, como as relatadas ao jornalista João Soares Neto
"Embora eu morasse em uma casa simples e fosse um menino pobre, nunca senti essa pobreza porque sempre fui muito bem alimentado e contei com a convivência de uma família com muitos irmãos e tios. Contei também com pai e mãe muito empenhados com a formação dos filhos. Nasci em uma cidade praiana e na praia tem sempre o que comer. Tem também muito espaço para a gente se divertir. Costumávamos atravessar o rio Coreaú numa canoa à vela para ir tomar banho de água doce nas lagoas formadas entre as dunas. Existiam muitas lagoas. Como a gente tomava banho pelado, os meninos ficavam separados das meninas. Cada qual em uma lagoa. Na época de caju, a gente se reunia para chupar caju e assar castanha. Meu pai sempre levava a gente para passar as férias em um lugarzinho perto de Massapé, chamado Riachão, por onde passava a estrada de ferro, e ali a gente tinha contato com outras pessoas. Era muito bom. Camocim, comparado com Riachão, era uma cidade avançada, tinha porto e o trem estacionava dentro da própria gare. Era uma festa a espera do trem nos dias de domingo. Quer dizer, fui um menino pobre, mas com uma infância muito saudável."

Fonte entrevista: www.joaosoaresneto.com.br/entrevistas_dias_macedo.asp

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

SOBRE O "DIA DA CIDADE" DE CAMOCIM

Enseada dos Barcos. Camocim-CE. 2013. Foto: Vando Arcanjo.

                Comecei a me perguntar sobre o porquê de nossa cidade não ter o seu dia. Não, não estou falando do 29 de setembro que é o dia do município. Muitos lugares comemoram  esses dias distintamente, como por exemplo, a cidade de Fortaleza, a nossa capital. Poderíamos, portanto, comemorar o dia 17 de agosto, afinal de contas, o então distrito da Barra do Camocim foi elevado à categoria de cidade quase dez anos depois de ter se tornado município pela Lei Nº 2.162, de 17 de agosto de 1899, ano no qual, aliás, foi proclamada a República no Brasil.
            Nestes 115 anos de cidade temos uma história que nos é peculiar, feita por seus habitantes e quem chega nela, afinal de contas, a cidade nada mais é o que nós somos individual e coletivamente.  Camocim, portanto, já foi apelidada de “Pequena Moscou”, “Cidade Heroica”, “Moscouzinha” e “Cidade Vermelha” pela imprensa comunista dos anos 1940, denominações estas que evocam um passado denunciador de uma intensa atividade política dos trabalhadores no porto e na ferrovia.
            Se temos um belo hino que começa assim:Verdes mares bravios do norte/A lutar nesse eterno fragor,/Como vós nosso povo é tão forte,/Tão feroz, pertinaz, lutador.” (Trecho do Hino de Camocim. Letra e música: Prof. Francisco Valmir Rocha), poderíamos ter a canção da cidade, algo do tipo: Camocim,/ Claro céu cristal/ Coqueiros cacheados/ Cajueiros copados... (Camocim-Ceará: Música: Raimundo Arnaldo). Mas também poderíamos fazer um concurso para escolher tal canção.
            Enfim, fica a sugestão para termos mais uma data para o calendário turístico e uma oportunidade de mostrarmos nosso potencial cultural, como o que aconteceu no último sábado com a "Feira Pote de Saberes".



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

POLÍTICA CULTURAL EM CAMOCIM. QUANDO TEREMOS?

Boi de Camocim: Fonte: Foto Claúdia.

 
            De quando em vez vejo comentários nas redes sociais sobre a falta de uma política cultural em nosso município. As ações quase sempre são eventuais como são os eventos. Eu mesmo já andei sugerindo algumas coisas como a instalação de um teatro, de um museu, de uma feira de livros, dentre outros. Pode até se argumentar de que os tempos são outros e que a juventude quer outros tipos de atração. No entanto, essa mesma população não pode querer aquilo que não lhe é ofertado. Basta olhar para os nossos eventos culturais. Se não fora a visão da então prefeita Ana Maria Veras nos anos 1980, não teríamos Festival de Quadrilhas, Salão de Artes. Infelizmente o Festival de Música, o Festival de Violeiros, as Olímpiadas de Camocim, criados também nesta época, morreram por inanição. 
Urge, portanto, que se promovam as condições para a geração de uma política cultural para além dos eventos, principalmente por termos hoje no comando da cultura camocinense a incansável Ana Maria Veras. Não estou com isso renegando outras manifestações hodiernas. Vivemos o tempo presente, no entanto, às gerações atuais devem ser mostradas àquilo que se solidificou como legado cultural dos nossos antepassados. 
Desta forma, hoje atribuo meu gosto pela cultura popular ao meu pai que proporcionava aos seus filhos e vizinhos o acesso á essas manifestações. Vez por outra, Zé do Gás botava "boneco" em nossa casa com as histórias hilárias de seus mamulengos. Da mesma forma, um compadre do meu pai que me foge o nome, às vezes era chamado para cantar melodiosamente os "romances" (lembro vem dos Doze Pares de França) ao som de um berimbau. Nos aniversários do meu velho era certo uma dupla de violeiros vir animar a festa com seus repentes de elogio ao dono da casa e de desafios entre eles. Nas temporadas de bois, o Boi do Juriti em pelo menos uma noite animava a Rua do Egito defronte de nossa casa.  Como disse, tudo é uma questão de hábito!


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A FERROVIA E A URBANIZAÇÃO DE CAMOCIM

Fonte: IPHAN/Superintendência do Ceará.
A foto acima mostra o quanto um empreendimento pode influir na urbanização de uma cidade. Foi o caso da construção da Estrada de Ferro de Sobral iniciada no então distrito da Barra do Camocim no ano de 1877. Naquele momento pertencíamos ao município de Granja, mas, tínhamos um porto que era uma das mais importantes portas de entrada do estado do Ceará. Com a intenção de ligar o nosso porto ao mais importante centro comercial da região, Sobral, ponto de confluência dos sertões de Crateús e da Serra da Ibiapaba, a ferrovia proporcionou um crescimento urbano sem precedentes na história de Camocim. 
Na foto acima temos duas plantas que refletem esse crescimento urbanístico. Como podemos perceber, no ano de 1878 (planta inferior) os pontos em negrito se resume a uma mancha residencial que não ultrapassa a três quarteirões e mesmo assim com muitos espaços em branco, revelando o que éramos naquele ano, além do porto, uma aldeia de pescadores. Já na planta superior, datada do ano de 1880, apenas dois anos depois, o adensamento urbano apresenta um volume quase duplicado, diminuindo os espaços em branco próximo ao porto e à estação ferroviária, o que demonstra que foi em torno deste espaço de trabalho - o porto e a ferrovia, que se desenvolveu a cidade de Camocim. Por outro lado, vale destacar que já em 1879, o distrito de Barra do Camocim já se desmembrava de Granja e se transformava no município de Camocim. 
Estas imagens foram usadas recentemente num documentário para mostrar a importância das estradas de ferro no desenvolvimento do Ceará, notadamente a Estrada de Ferro de Sobral para a nossa região.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

PINTO MARTINS - O AVIADOR DE CAMOCIM

Fonte: putegi.blogspot.com
Hoje é Dia do Aviador e da Aviação. Em Camocim a relação com o pioneirismo de Pinto Martins deveria ser automática. Contudo, muita gente ainda não faz a devida correspondência do nome com o fato ocorrido em 1922, quando o camocinense Euclydes Pinto Martins, juntamente com aviadores americanos singraram os ares ligando Nova Iorque ao Rio de Janeiro, abrindo perspectivas para a aviação comercial entre as duas Américas.
Em sua memória temos o aeroporto local e o internacional de Fortaleza, a Biblioteca Municipal, uma comenda e o seu dia, 15 de abril - alusão a data do seu nascimento, além da Praça Pinto Martins onde encontra-se uma estátua de corpo inteiro e um avião-caça da Força Aérea Brasileira (FAB). São peças que vão se integrando num espaço em tempos e intenções diferentes, que vão ganhando ares de pequeno museu a céu aberto. Desta forma um dia botei na cabeça e imaginei ver este espaço de memória ampliado ao modo de um memorial e publiquei artigo neste sentido no extinto "O Literário". Reproduzo e repito a ideia novamente:

[...] a proposta é deveras simples e pode ser executada com recursos do IPTU. Trata-se de construir no perímetro da Praça Pinto Martins (já aproveitando a Estátua de Pinto Martins e o Avião) um memorial a céu aberto (como gostam os aviadores). Constará de [...] colunas distribuídas por toda a praça. A cada coluna será afixada uma placa de acrílico (ou outro material) contendo a reprodução de uma obra de arte e um texto resumo de artistas e escritores locais sobre o "Voo de Pinto Martins". Sugiro logo os nomes. Para escrever a saga do voo. Convidem: Raimundo Silva Cavalcante,  Artur Queirós, Valmir Rocha, Cardeal, Sotero, Inácio Santos, Avelar Santos, Fernando Veras e Aradi Silva. Para pintar a saga do voo, convidem: Totõe, Mauro Viana, Eglauber, Kadal, Francisco Carlos, Eduardo, Catarina, Batista Senna e mais três revelações do último salão de artes. Encimando cada coluna uma miniatura do biplano Sampaio Correia feita por Romilson Lopes. Para finalizar, promover uma revitalização em torno da estátua de Pinto Martins, iluminando-a e ajardinando o pedestal, além de colocar placas comemorativas. Claro que outros artistas e escritores poderão participar deste projeto e melhorá-lo com outras sugestões. Feito isto teríamos uma sala de aula ao ar livre onde os professores poderiam levar seus alunos para conhecerem a história da genialidade de Pinto Martins, além de um ponto turístico de qualidade".

Como se diz hoje: fica a dica!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

CAMOCIM E AS ELEIÇÕES Á BICO DE PENA


            Passada a primeira etapa das eleições de 2014, cada vez mais a tecnologia toma conta do embate eleitoral. No mesmo dia temos os resultados das urnas e vitoriosos e derrotados não são expostos à uma tensão maior de espera dos seus esforços de campanha. Os eleitores já estão sendo identificados pela biometria diminuindo sensivelmente as fraudes. Mas, nem sempre foi assim. Sou do tempo em que a vitória ou a derrota dos partidos e candidatos só era conhecida após três dias, no caso de Camocim. A central de apuração era no então prédio do INPS e a contagem era feita voto a voto, nas cédulas de papel, e as diferenças transmitidas por meio de bilhetes jogados do alto para a população que se aglomerava nas imediações ou então pelos informes dos repórteres das rádios ligadas aos grupos políticos Cara Preta e Fundo Mole - Radio União e Pinto Martins, respectivamente. Quando um partido se distanciava na contagem, o desânimo tomava conta dos radialistas do partido que estava perdendo e as atualizações dos resultados para estes, eram um verdadeiro calvário a ponto de desistirem antes de finda a apuração. Mas se voltarmos ao inicio do século XX, as eleições não tinham essa exploração midiática. Os resultados eram praticamente feitos nas alcovas das repartições públicas, à bico de pena, como se dizia antigamente, por pessoas ligadas ao partido que estava no poder. Embora com caráter anedótico, o jornal A Esquerda de Sobral de 1919, traz um episódio escrito na coluna Respingos, assinada por um certo H.M, que ilustra bem como foi decidido os destinos políticos de Camocim naquele ano, mas que serve para qualquer lugar. Diz o nosso colunista:
 - Senhor coronel o homem foi derrotado barbaramente: gemeu o escriba.
-Quantos votos a mais?
-Duzentos, afora as cédulas rasgadas.
-E você fez o que seu palerma.
- O que pude. O pessoal do cemitério votou todo, mas falta ainda gente e a cabeça não ajudou.
- Tolice homem. Vamos. Escreva lá: João Silva.
- Já votou: Tartamudeou o outro.
- Pancrácio Pimenta.
- Serve.
            Os nomes sucederam-se numa cantilena monótona até de manhã quando o coronel inquiriu:
- Uns dois,
- Ponha lá!
- Não posso mais estou com a munheca dormente.
            O coronel escreveu os nomes restantes e o candidato situacionista foi eleito...

            Se pudessem, com certeza ainda haveria políticos que usariam deste expediente.

Fonte: Jornal A Esquerda. Sobral, 1919.

sábado, 27 de setembro de 2014

IV SC 07 - O FAROL DO CAMOCIM ANTIGO


Farol Trapiá - Camocim-Ce. 1968. Fonte: Marinha do Brasil

Esse era o nosso antigo farol, o sinalizador para uma chegada segura ao nosso porto e à nossa cidade via Oceano Atlântico. No final dos anos 1960, no entanto, a sólida casa do faroleiro que ficava ao lado, já estava em ruínas. Muitas histórias são contadas desse lugar ermo do Camocim de então que chegaram inclusive às páginas da literatura através da pena irretocável do nosso escritor maior Carlos Cardeal. Histórias de amores secretos e outros nem tanto, de assassinatos e até de assombrações aliados às lendas indígenas fizeram deste local, um ponto exótico e até maldito. É só conversar com moradores e pescadores mais velhos que eles sempre terão uma história para contar sobre o nosso antigo farol. Hoje, no entanto, a força dessas histórias e lendas vão perdendo sua força. No local, um outro farol foi construído e é mantido pela Marinha do Brasil, guiando ao abrigo do continente nossos bravos navegantes.