O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

domingo, 2 de agosto de 2015

VENENO DE COBRA FABRICADO EM CAMOCIM - O ESPECÍFICO PESSOA


Fonte: impressoesamazonicas.wordpress.com 
Camocim já foi uma cidade importante na chamada "farmácia oficinal", de que fala o historiador cearense Geraldo Nobre. Essa farmácia explorava preparados medicamentosos que movimentaram a industria farmacêutica até os idos da década de 1940, baseados principalmente na flora local e nos conhecimentos dos indígenas. Alguns destes "preparados" ainda resistem e são objetos de pesquisa científica. 
Já falamos anteriormente neste espaço das famosas "Gottas Arthur de Carvalho ( Leia mais em http://camocimpotedehistorias.blogspot.com.br/search?q=Arthur+de+Carvalho), o famoso digestivo, fabricado em Camocim pelo farmacêutico  Joaquim Arthur de Carvalho. Hoje falaremos do Específico Pessoa, outro medicamento made in Camocim, utilizado contra  picadas de animais peçonhentos, dentre eles,os vários tipos de cobra. Um dos costumes das pessoas de então era bebê-lo antes de ir trabalhar ou caçar no mato. Pois bem, este remédio era preparado em Camocim pelo farmacêutico Torquato Pessoa (daí o nome) e daí vendido para o norte e nordesteprincipalmente, como mostra o anúncio do jornal Nortista(1901), editado em Teresina-PI. Hoje, o princípio ativo do medicamento é o ponto de partida para que pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sintetizem uma substância ativa contra vários tipos de veneno de cobras.






quinta-feira, 30 de julho de 2015

PRIMÓRDIOS DA FOTOGRAFIA EM CAMOCIM

Jornal Nortista. Fonte: Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
"Brevemente será installado temporariamente, nesta cidade, o atelier photographico de Oséas Pinto & Irmão, de Camocim. Os trabalhos serão executados sob pequenas prestações semanaes ou a dinheiro com grande desconto".


Festival de Quadrilhas. Camocim.2015. Foto: Vando Arcanjo.

Este pequeno anúncio na primeira página do jornal Nortista de 14 de setembro de 1913, pode ter sido o marco das artes fotográficas em Camocim, num tempo em que o "F" de fotografia era grafado com "PH". O empreendedor foi Oséas Pinto, irmão do jornalista e poeta Américo Pinto. Não sabemos se o "Irmão" do nome oficial da firma era Américo, mas, ambos eram parentes do chamado "poeta maldito", Alcides Pinto. A matéria faz-nos lembrar de antigos profissionais da arte fotográfica e seus estúdios. Meu pai foi amigo de alguns destes profissionais. Lembro-me de Bete Filme, o Sr. Dico Pereira e o Vilmar que depois foram trabalhar em Maracanaú ou Maranguape. O Sr. Medeiros comandou por muito tempo o antigo Foto Cláudia, no centro da cidade à Rua 24 de Maio. Na Rua Alcindo Rocha, funcionou o Flash Film Foto sob a batuta do nosso amigo Aroldo Viana, colaborador do blog e das nossas pesquisas, fornecendo-nos fotos antigas e recentes. Mais recentemente, outros fotógrafos são responsáveis por registrar os principais fatos e momentos de nossa sociedade, como nossos amigos Vando Arcanjo (Foto Arcanjo), Denilson Siqueira, Teixeira, Doquinha, entre outros. Num momento onde qualquer um pode empunhar uma câmera, profissional ou não, ou mesmo os potentes celulares, outros profissionais se destacam, como  Robervaldo Monteiro, vencedor de algumas edições do Salão de Artes de Camocim na categoria fotografia. Agora lembrei-me do Calcinha. Quem sabe seu nome? Onde andará? 







Fonte: Jornal Nortista, Anno II, Nº 49, p.1, 14 de setembro de 1913, Sobral-CE

quarta-feira, 22 de julho de 2015

EXPOSIÇÃO "TELAS E TRILHOS" DE EDUARDO SOUZA, TRAZ O TREM DE VOLTA À CAMOCIM

Exposição "Telas e Trilhos". by Eduardo Souza. Camocim.2015.
Camocim reviveu no último sábado (18) a volta dos trens. Ferroviários, artistas plásticos, escritores, músicos, atores amadores, historiadores e até políticos estiveram na Estação Ferroviária para rever os antigos trens que ligaram nossa cidade à várias outras, saindo daqui indo até à capital e aos sertões de Crateús. 
Não foi preciso comprar bilhetes para ir a algum lugar. Tudo está ali pelas mãos, tintas, pincéis e talento do artista plástico Eduardo Souza. Desta forma, uma exposição temática conseguiu transportar-nos para o passado e trazer para o presente, materializado em cada tela, os vagões das nossas lembranças, das histórias de cada um com os trens.
O diferencial da exposição em tela foi o sentido coletivo que a mesma encerrou, o que mostra a força da arte e da cultura. Quem foi à antiga gare viu não somente a disposição de quadros pintados pelas mãos hábeis do artista, ou de maquetes de locomotivas, exemplares de trilhos e dormentes, além de outras peças. Mas, pode ouvir boa música com temática ferroviária, artistas representando, e ex-ferroviários emocionados sendo homenageados. Além das telas, fotografias dos operários da estrada de ferro e  depoimentos sobre suas experiências de trabalho.
A exposição serviu e deve servir também como um grito na luta pela reconquista do espaço da estação como centro cultural e preservação da nossa história, posto que, atualmente, boa parte da antiga gare está ocupada por boxes das repartições federais do INSS e da Receita Federal. Que a sensibilidade política possa ser aliada da artística e possamos dar àquele espaço, permanentemente, um destino mas digno, digamos, culturalmente. O trem voltou, não como promessa política ou meio de transporte. No sábado, o espaço onde o trem dormia despertou de repente e ficou repleto de gente e arte. A gare que já foi do trem pode ser nossa sala de visita para mostrarmos aos outros a riqueza do passado, os talentos do presente e a perspectiva de futuro. 

Fonte: texto e foto Camocim Online.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O TREM DE CAMOCIM... E SUA VOLTA TRIUNFAL NAS TELAS DE EDUARDO SOUZA

Eduardo Souza e ex-ferroviários da RVC. Fonte: facebook.
Tela de Eduardo Souza. Camocim. Fonte: facebook
Não, não foi a realização de uma promessa política! O Trem voltou à gare da Estação de Camocim pelas mãos do artista plástico Eduardo Souza. Ontem não encontramos gente em polvorosa embarcando e desembarcando dos vagões da "Rapariga Velha Cansada" (RVC) puxados por uma resfolegante Maria Fumaça ou mesmo por uma potente locomotiva a diesel. Ontem, não mais o orvalho da fonte luminosa e o aperto do Balaio de Gato...Ontem, tudo isso foi reavivado pelas tintas e pinceis de um artista que sonhou com uma estação cheia de ferroviários e pessoas comprando passagem para a memória de dias idos numa viagem sem destino à nossa história. Ontem, o espaço onde o trem dormia despertou de repente e ficou repleto de gente e arte, mostrando que ele pode ser usado para a cultura de nossa história. A gare que já foi do trem pode ser nossa sala de visita para mostrarmos aos outros a riqueza do passado, os talentos do presente e a perspectiva de futuro

quinta-feira, 9 de julho de 2015

A BÊNÇÃO DA IGREJA MATRIZ DE CAMOCIM

Igreja Matriz de Camocim.2015. Foto: Robervaldo Monteiro.
Corria o ano de 1913. A cidade finalmente encheu-se de júbilo pelo soerguimento do seu templo católico. A ação do Padre  José Augusto da Silva chegara a bom termo após à tentativa anterior de construção da nossa Igreja Matriz ter sido infrutífera, tanto pela ação do tempo e dos homens. Com planta arquitetônica do Dr. José Privat, então engenheiro da Estrada de Ferro de Sobral, o dia 27 de julho de 1913 foi marcado pelas bênçãos da então capela da Igreja Nova, consagrada à Bom Jesus dos Navegantes. O jornal O Nortista de 7 de setembro de 1913, na coluna Os Municípios, traz a notícia em pequena nota:

Igreja Matriz de Camocim. Fonte: NEDHIS/UVA

Camocim

O mez de julho, foi para nós, um mez cheio:
(...)
Á 27 = bênção da capella da Igreja nova, cuja festa foi a maior e mais sollene que tivemos este anno, quiçá uma das mais deslumbrantes que tem havido em Camocim nestes últimos tempos.
A bênção da capella foi feita pelo nosso vigário Pe. José Augusto da Silva.
Celebrou a missa principal, que foi cantada, o Revmo. Dr. Tupinambá da Frota, acolytado pelos Revmos. Dr. Aureliano Mota, digníssimo vigario de Ipú e Revdmo. V. Martins da Costa, muito digno vigario da visinha cidade de Granja. Fez o sermão allusivo a sollenidade, o Revmo. Aureliano Mota, que dissertou brilhantemente sobre o '"templo catholico".
A festa esteve muito sollene e concorridíssima, pena é que não houvesse uma penna que a descrevesse... À noite houve leilão em benefício da continuidade das obras da matriz, cuja parte exterior da mesma ainda está por acabar.
Até o nosso "Gabinete de Leitura" commemorou, si bem que intimamente, esse grande dia, que foi de regosijo geral para todos os camocinenses.

Portanto, no próximo dia 27 de julho de 2015, nossa Igreja Matriz comemorará 102 anos da benção de suas instalações. Comemoremos, pois.


Fonte: Jornal O Nortista, 07 de setembro de 1913, Anno II, nº 48, p.2.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

A CENTENÁRIA CAPITANIA DOS PORTOS DE CAMOCIM


Capitania dos Portos em Camocim. Fonte:www.panaromio.com
 No último de 05 de julho, a Capitania dos Portos em Camocim completou mais um ano de sua existência no município. Entre idas e vindas da burocracia, a instituição centenária está presente entre nós desde 1899, portanto, há 116 anos. Nascido com a vocação marítima, no entorno de um porto, Camocim não poderia prescindir de uma capitania para organizar e fiscalizar as atividades decorrentes dessa vocação. Por outro lado, contextualizar a presença de uma instituição desse porte num município é mergulhar na sua história, na história dos homens que a fizeram em seus tempos determinados.
Desta forma, a Capitania dos Portos não é somente a representação da Marinha do Brasil enquanto integrante das Forças Armadas do Brasil em Camocim. Ela também é o órgão que deverá estar junto dos nossos empresários de pesca, dos nossos pescadores artesanais, na guarda de nossa Amazônia Azul, portanto, atuante na defesa do nosso ecossistema.
Observando o suceder dos homens que atuaram como agentes na condução de nossa Capitania dos Portos ficam questionamentos: o que fizeram o FC Vicente Esmerino Lopes no longínquo período de 1929 a 1930, ou mesmo o ESC. 3ª Classe Pedro Aguiar que esteve à frente do órgão do 12 anos (1930 a 1942)? Suas ações se foram na poeira dos tempos ou estão guardados em documentos e memórias ainda não ditas. Quando se pode ter acesso às ações humanas, sejam contadas por testemunhas, documentos ou mesmo por quem de direito, poderemos avaliar sua validade. Deste modo, o 2º Ten. (ES-RRM) Octávio de Santana, que comandou a Capitania dos Portos entre 1953 a 1957 nos contou comovido sobre a singeleza arquitetônica das casas dos pescadores, numa Camocim ainda em fase de urbanização. As casas, segundo ele: “... tinha como cobertura a vela que acionava suas canoas; chegava do mar estendia a vela e de manhã tirava, a casa tinha como parede folha de coqueiro." Tenente Santana acabou se incorporando à vida da comunidade atuando na Colônia dos Pescadores e se elegeu vereador várias vezes. Hoje, outros tantos tem suas vidas entrelaçadas com a nossa cidade, com o nosso povo.


quinta-feira, 2 de julho de 2015

DEPUTADO MURILO AGUIAR - 30 ANOS DE MORTE.

Foto: www.antonioviana.com.br.

No ano passado foi comemorado um século de nascimento do Deputado Murilo Rocha Aguiar, representante de Camocim e região na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Neste 1º de março de 2015 completou 30 anos de sua morte   em plena eleição para renovação da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará em março de 1985, onde disputava a presidência da casa com Castelo de Castro. Neste espaço já detalhamos os fatos daquela fatídica tarde-noite (http://camocimpotedehistorias.blogspot.com.br/search?q=Murilo+Aguiar, 09 de agosto de 2012). 

Vejamos como o Jornal O Povo noticiou o ocorrido em sua sessão "Há 30 anos atrás":

Castelo ganha, há tumulto e Murilo morre

Em sessão bastante tumultuada, com pancadarias e agressões físicas, o deputado Castelo de Castro (PMDB) foi proclamado eleito ontem Presidente da Assembleia Legislativa, com 23 votos contra 21 de Murilo Aguiar (Frente Liberal), escolhido para substituir o deputado Antônio Câmara, candidato inicial. Murilo Aguiar faleceu a 1h40min de hoje, vítima de enfarte cardíaco, no Prontocard, para onde foi levado ao sentir-se mal horas depois da confusão.