O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

domingo, 17 de agosto de 2014

O ENGENHO PERDIDO DE CAMOCIM

Engenho dos Gouveias. Foto: Emanoel Reis

Esta postagem mostra como os leitores podem colaborar com nossa árdua tarefa de mostrar as coisas de Camocim, seja da cidade ou da zona rural. Recebo e repasso para todos um "achado" do nosso leitor Emanoel Reis. Trata-se das ruínas do que fora um antigo engenho de cana-de-açúcar localizado no povoado de Lusitânia, zona oeste de nosso município. Segundo o leitor que nos enviou várias fotos do local e uma descrição, o engenho funcionava numa "área de um grande  latifúndio pertencente a família dos ''Gouveias''. Logo associei uma coisa na outra, aquele  engenho pertencia a família dos ''Gouveias'' [...] depois conversei sobre o engenho com um  ex-morador da região, que tem 85 anos, perguntei-lhe  se ele sabia aproximadamente quantos anos tinha aquela construção, ele respondeu que sua família chegou naquela região em 1919 e seus pais relatavam que em 1919 já estava desativado [...]Conversei com outros moradores antigos, mas nenhum pode dar uma resposta conclusiva sobre a idade daquela construção, pois ela é mais antiga, que os pais dos moradores mas antigos, acredito eu que a idade cronológica daquele engenho coincida com o fim do Brasil colonial, imperial e a escravidão, mas até agora não tenho uma fonte contundente para afirmar que existiram escravos.  Outra coisa que descobri, é que aquele lugar era habitado por indígenas (Tapuios), e tinha o nome de "Tarraco'', mas com a colonização dos Gouveias, por meio da extração da madeira, monocultura e posteriormente da criação extensiva do gado, excluindo os indígenas do seu projeto de povoamento, o lugar passou a se chamar ''Lusitânia'', nome de origem Portuguesa".

Como se pode concluir, outras histórias poderão complementar a descoberta do nosso leitor. O fato de um engenho encravado no interior do município já revela uma proibição colonial, ou seja, plantar cana-de-açúcar próxima do litoral, além de confirmar a existência de terras férteis para a cultura da cana (massapê) em nosso município a ponto de justificar o funcionamento do engenho. Quando tivermos mais informações sobre este tema, voltaremos ao assunto.






     

quinta-feira, 31 de julho de 2014

OS ESTRANGEIROS EM CAMOCIM. OS INGLESES

Fonte: http://blog.liverpoolmuseums.org.uk/2007/12/maritime-tales-escape-to-the-sun/

Quando os marinheiros ingleses aportavam por aqui, gostavam de comprar macaquinhos e periquitos. O Sr. Euclides Negreiros em depoimento nos disse: “Quando eu era menino, subia nos navios para vender laranjas e soins para os marinheiros ingleses (...) eu pegava os macaquinhos, dava de comer e amansava para vender prá eles”.[1]. Mas os ingleses não foram somente compradores de espécimes da nossa fauna. Os mesmos estiveram aqui quando da construção da Estrada de Ferro de Sobral. Acharam bom o negócio que depois uma firma inglesa arrendou a ferrovia através da The South American Railway Construction Company Limited, entre 1910 a 1915.[2].
No entanto, a presença inglesa não ficou por aí. Nos anos 1940 a Booth Line,  empresa de navegação, explorou no Porto de Camocim o serviço de alvarengas,embarcações que faziam o serviço de embarque e desembarque dos navios em alto mar. À época, dizia-se que o porto de Camocim não tinha condições de receber  os navios, até que o comandante do Navio Aratanha em 1946 pôs por água abaixo essa mentira que durou mais de uma década, a qual era reiterada pelo prático da barra e a empresa inglesa, mas essa é uma história controversa que merece ainda ser melhor apurada. 

Notas:


[1] Soim é um pequeno macaco muito comum no território brasileiro. Entrevista com o Sr. Euclides Negreiros, marinheiro, 90 anos. 24 de abril de 2007. Camocim-CE.
[2] Para saber mais sobre a construção e o arrendamento da ferrovia, ver: OLIVEIRA, André Frota de. A Estrada de Ferro de Sobral. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora Ltda, 1994.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

OS ESTRANGEIROS EM CAMOCIM. OS HOLANDESES

Ocupação Holandesa no Ceará. Século XVII.
Os holandeses dominaram o que se chama hoje de nordeste na primeira metade do século XVII. De 1630 e 1654, através da  Companhia das Índias Ocidentais, os objetivos dos mesmos eram controlar a região produtora de cana-de-açúcar, além de, explorar a terra em busca de outras riquezas.
Neste sentido,os holandeses exploraram bastante a região do rio Camocim a ponto de terem erguido uma fortificação para melhor proteção de suas explorações na embocadura do rio, próximo à atual Granja,além de um outro em Jericoacoara.Depois que o Conde Maurício de Nassau se instalou em Pernambuco mandou missões de reconhecimento ao Ceará para sondagem de suas potencialidades econômicas. Desta forma, Gedeon Morris confirmou a existência de boa quantidade de sal, âmbar gris e do pau violeta (tatajuba). O explorador holandês ainda fez referências a existência de 30 tribos tapuias e da excelência do porto para as atividades de carregamento de navios. Nas palavras da historiadora Rita Kromemem constata-se: "expedição para Camocim valeu a pena. Gedeon Morris encontrou outra salina rendosa, distante da costa apenas 1700 passos. O porto prestava-se também ao carregamento de navios. Por outro lado, viviam nos arredores 30 tribos tapuias, das quais apenas dez eram aliadas aos holandeses. Por isso queria o zelandês (sic!) ir ao interior da região, a fim de atrair mais índios para os seus homens através de atitudes humanas e de bom tratamento. Também não esqueceu de preparar uma determinada quantidade de madeira corante para exportação.(KROMEMEN, Rita. Mathias Beck e a Cia. das Índias Ocidentais. O domínio holandês no Ceará colonial. Fortaleza: UFC, 1997, p. 56).
 Por outro lado, a presença de holandeses na região pode ser atestada pelos registros após a Guerra da Restauração que expulsou os mesmos de Pernambuco com os índios que lhe eram aliados. Referindo-se à crônica da guerra, o historiador Ronaldo Vainfas assinala: "Outro chefe notável do chamado “partido holandês”, entre os potiguaras, foi Antônio Paraopaba, guerreiro afamado, responsável por várias vitórias holandesas na fase do domínio holandês contra os restauradores de 1645. Foi um dos chefes dos massacres perpetrados pelos holandeses em Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande, em 1645, respectivamente em julho e outubro, e comandante da retirada dos índios para a Serra da Ibiapaba, no Ceará, depois da derrota holandesa de 1654.(VAINFAS, Ronaldo. Traição. Companhia das Letras, 2008). 
A presença holandesa no Ceará será retratada em documentário num projeto denominado Neerlandeses Missão em Terras Alencarinas sob a direção do jornalista Roberto Bomfim trazendo depoimentos de historiadores e moradores das localidades visitadas pelos holandeses de então.

Fonte da foto:http://cearaemfotos.blogspot.com.br/2011/05/ocupacao-holandesa-no-ceara.html

domingo, 13 de julho de 2014

OS ESTRANGEIROS EM CAMOCIM. OS FRANCESES


Praia das Barreiras. Fonte:www.groupon.com.br
Uma cidade que se ergue à beira do mar, ao redor de um porto tende a ser uma porta aberta para a chegada e fixação de estrangeiros e aventureiros que, talvez, por "serem de fora", enxergam no lugar outras possibilidades e belezas que os nativos, habituados com a paisagem diária, não percebem. Iniciamos, portanto, uma série de postagens onde destacaremos as passagens de estrangeiros por Camocim, analisando suas contribuições para a formação da cidade ou apenas simples e efêmeros momentos que aqui desfrutaram. Começaremos, até por uma questão cronológica, pelos franceses.O processo de colonização da Capitania do Ceará pelos portugueses, como se sabe, se deu tardiamente. Essa demora, permitiu que outros navegantes explorassem nossa costa, como os franceses o fizeram. Quando os portugueses deram por si, sobre a possibilidade de perderem esta parte do território no começo do século XVII e enviaram a expedição de Pero Coelho em 1604 para a expulsão dos franceses da Ibiapaba, há muito os mesmos já negociavam com os índios as chamadas "espécimes de fauna e flora" da região. Por conta desse contato, os franceses quase sempre tinham a simpatia e a aliança das tribos indígenas e de seus "maiorais" (como eram chamados seus líderes) nas guerras de ocupação contra portugueses e holandeses.Os franceses, portanto, exploraram bastante o comércio com os índios Tabajaras da Ibiapaba usando o rio Camocim ou rio da Cruz (atualmente Coreaú) e logicamente fazendo essa rota conhecida em seus documentos náuticos e históricos. Como vimos acima, a expedição de Pero Coelho de 1604 acaba por expulsar os franceses da Ibiapaba iniciando efetivamente a colonização portuguesa na região. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

FAROL DO TRAPIÁ - O FAROL DE CAMOCIM

Marinheiros fazendo manutenção no Farol do Trapiá. Camocim-CE. 

As primeiras referências do farol de Camocim chegaram a mim como Farol do Trapiá lendo a obra do escritor imortal Carlos Cardeal no romance "Terra e Mar". Depois, num trabalho da faculdade no final dos anos 1980, uma colega camocinense me apresentou uma foto do referido farol que me ficou na lembrança. Mais recentemente, algumas pessoas nas redes sociais fizeram referência ao atual farol como uma construção sem nenhum atrativo arquitetônico, fazendo comparação com um antigo farol erguido na praia do mesmo nome. Independente da importância maior que um farol tem para os navegantes, para nossos irmãos pescadores que é sinalizar a entrada da nossa barra, fui atrás de fotos da antiga construção e acionei o acervo da Marinha do Brasil através do meu irmão Suboficial(HN)Luís Carlos Pereira dos Santos. O resultado será mostrado nesta e futuras postagens. Na foto, observamos marinheiros fazendo serviço de manutenção no farol tendo ao lado uma construção sólida de uma casa, provavelmente para morada do faroleiro





FONTE: Marinha do Brasil. CAMR-Centro de Sinalização Náutica Almirante Moraes Rego.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O PATRIMÔNIO DE CAMOCIM EM 1890





Mercado Público de Camocim. Fonte: arquivo do blog.
Patrimônio é o que se tem, o que se herda, o que se preserva e também o que se perde! Embora o texto não verse sobre a moderna noção de patrimônio, notadamente sobre sua classificação em material e imaterial e a consequente sensibilização de preservarmos os bens materiais de um povo, de um município, gostaríamos de discutir um pouco sobre o que seria isso no tempo. Quando Camocim não passava de um pequeno burgo, emancipado recentemente de Granja, o patrimônio informado pelo Intendente ao Presidente da Província do Ceará em 1890, resumia-se a:
Seis quartos no Mercado Público desta cidade, construído de tijolo e barro no valor de 300$000 cada um; 
 Uma cacimba pública em frente ao Mercado construída de alvenaria ordinária no valor de 50$000; 
 Um curral de madeira para recolhimento de gado destinados ao consumo público no valor de 150$000;  
Um cemitério construído de tijolo e cal no valor de 1:500$000; Um açude na povoação da Barroquinha, neste município, construído de barro no valor de 2:000,000.
Camocim, 4 de setembro de 1890.
O Secretário da Intendência
José Carneiro de Araújo. 
Esse era o nosso patrimônio, no valor exato de 4:000$000 (quatro contos de réis). Mais do que uma curiosidade histórica, vale fazer um alerta para a questão do registro nos arquivos municipais: quase nada temos sobre os tempos pretéritos e o que se tem está se acabando pela voracidade do tempo e o descuido com os documentos, além do que esta responsabilidade é do poder público. Se eu não tivesse feito esse registro quando da publicação do livro A Casa do Povo em 2008, ficaria difícil, por exemplo, algum setor da Prefeitura Municipal localizar algo sobre o Mercado Público de Camocim no 1º Livro de Officios Expedidos.
Fonte:  1º Livro de Officios Expedidos.
SANTOS, Carlos Augusto P. dos. A Casa do Povo. História do legislativo Camocinense, 2008. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O LAGO SECO. ESPAÇO DO LAZER E CULTURA POPULAR DE CAMOCIM

Lago Seco. Arquivo:bookcamocim.blogspot.com
Recebo notícias de que pouco a pouco nosso Lago Seco vem deixando de ser tão seco e acumulando água, deixando o lugar mais bucólico  para os camocinenses e turistas desfrutarem de suas belezas e aconchego. Pensando nisso, reproduzo um texto feito pela historiadora camocinense Jana Mendes que agora mora em São Paulo sobre o referido local, publicado no livro "Cidades Visíveis" organizado por mim e que reúne relatos de natureza histórica e cultural de várias cidades da zona noroeste do Estado do Ceará. Leiamos o que a Jana escreveu sobre, digamos,  os usos noturnos do Lago Seco de Camocim



  1. ESPAÇOS DE LAZER E CULTURA POPULAR EM CAMOCIM-CE.

                                                                                                                Jana da Silva Barbosa Mendes. 1

As noites de Camocim com seu clima agradável propiciam uma visitação à Avenida Beira-Mar onde estão concentrados os bares e restaurantes e toda a movimentação, principalmente durante as noites de sábado, momento que as famílias e a juventude ocupam o espaço urbano utilizando para o seu lazer.
Estes encontros podem ser para encontrar e conversar com amigos, tomar uma alguma bebida ou namorar. São várias as possibilidades existentes sobre a apropriação do espaço da cidade na construção de uma sociabilidade cultural.
Essas noites de sábados são regadas à música, especialmente o forró eletrônico, estilo que mais se ouve nos dispositivos midiáticos em difusão. O álcool está presente nos copos das mesas dos bares onde as gargalhadas e os tons de voz alta soam pelo calçadão da beira-mar. Desafiando os ouvidos estão presentes os chamados “paredões” onde tocam as músicas “da moda” a gosto popular. É possível observar como algumas pessoas se comportam no momento em que estas músicas são tocadas, muitas vezes impossíveis de serem ignoradas, já que o forró eletrônico mostra uma linguagem estilizada e chamativa.
Dessa forma, os espaços de sociabilidade são construídos pelas pessoas que frequentam o local e isto não deixa de ser um fato social e produção cultural.
Outro espaço da cidade utilizado nas noites de sábado e madrugada de domingo pela juventude de Camocim é o calçadão e as barracas do Lago Seco, onde dançam, bebem, conversam, paqueram ao ritmo do forró eletrônico, por muitas vezes reproduzindo um “estilo de vida” propagado pelas músicas em questão, que enfatizam a figura masculina como dominante sexual e o uso de bebidas alcoólicas, dentre outros temas próprias deste estilo musical.
É possível observamos jovens ao redor de paredões ou em mesas das barracas, portanto espaços propícios à conversação (nem tanto, face aos altos decibeis) e interação entre grupos de jovens. Na falta de clubes e festas, outros jovens se juntam a estes num momento livre para a distração. Caracterizam-se pela sua dimensão coletiva, pois é algo compartilhado por todos e a sua configuração espaço-temporal é determinada.
Nesse sentido, os locais de encontro dos jovens de Camocim são considerados como uma prática social e cultural, onde revelma um tipo de sociabilidade presente nessa juventude, embora entendamos que isso se dê por causa da falta de outras oportunidades e espaços para que essa mesma juventude possa sociabilizar-se.


1 Graduada em História pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA. Sobral-CE.