O Blog:

Amigos e conterrâneos camocinenses, a gente só dar o que tem. Quando pensamos editar um blog, este foi o pensamento: doar todo nosso esforço na construção de uma ferramenta como esta para a divulgação pura e simples da nossa história. Contudo, essa é uma oportunidade de todos participarem desta empreitada, seja comentando, sugerindo, corrigindo e, efetivamente, participando dessa grande viagem que a História nos proporciona. Que nosso "POTE" nunca encha e sacie a todos!!!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

PINTO MARTINS - O AVIADOR DE CAMOCIM

Fonte: putegi.blogspot.com
Hoje é Dia do Aviador e da Aviação. Em Camocim a relação com o pioneirismo de Pinto Martins deveria ser automática. Contudo, muita gente ainda não faz a devida correspondência do nome com o fato ocorrido em 1922, quando o camocinense Euclydes Pinto Martins, juntamente com aviadores americanos singraram os ares ligando Nova Iorque ao Rio de Janeiro, abrindo perspectivas para a aviação comercial entre as duas Américas.
Em sua memória temos o aeroporto local e o internacional de Fortaleza, a Biblioteca Municipal, uma comenda e o seu dia, 15 de abril - alusão a data do seu nascimento, além da Praça Pinto Martins onde encontra-se uma estátua de corpo inteiro e um avião-caça da Força Aérea Brasileira (FAB). São peças que vão se integrando num espaço em tempos e intenções diferentes, que vão ganhando ares de pequeno museu a céu aberto. Desta forma um dia botei na cabeça e imaginei ver este espaço de memória ampliado ao modo de um memorial e publiquei artigo neste sentido no extinto "O Literário". Reproduzo e repito a ideia novamente:

[...] a proposta é deveras simples e pode ser executada com recursos do IPTU. Trata-se de construir no perímetro da Praça Pinto Martins (já aproveitando a Estátua de Pinto Martins e o Avião) um memorial a céu aberto (como gostam os aviadores). Constará de [...] colunas distribuídas por toda a praça. A cada coluna será afixada uma placa de acrílico (ou outro material) contendo a reprodução de uma obra de arte e um texto resumo de artistas e escritores locais sobre o "Voo de Pinto Martins". Sugiro logo os nomes. Para escrever a saga do voo. Convidem: Raimundo Silva Cavalcante,  Artur Queirós, Valmir Rocha, Cardeal, Sotero, Inácio Santos, Avelar Santos, Fernando Veras e Aradi Silva. Para pintar a saga do voo, convidem: Totõe, Mauro Viana, Eglauber, Kadal, Francisco Carlos, Eduardo, Catarina, Batista Senna e mais três revelações do último salão de artes. Encimando cada coluna uma miniatura do biplano Sampaio Correia feita por Romilson Lopes. Para finalizar, promover uma revitalização em torno da estátua de Pinto Martins, iluminando-a e ajardinando o pedestal, além de colocar placas comemorativas. Claro que outros artistas e escritores poderão participar deste projeto e melhorá-lo com outras sugestões. Feito isto teríamos uma sala de aula ao ar livre onde os professores poderiam levar seus alunos para conhecerem a história da genialidade de Pinto Martins, além de um ponto turístico de qualidade".

Como se diz hoje: fica a dica!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

CAMOCIM E AS ELEIÇÕES Á BICO DE PENA


            Passada a primeira etapa das eleições de 2014, cada vez mais a tecnologia toma conta do embate eleitoral. No mesmo dia temos os resultados das urnas e vitoriosos e derrotados não são expostos à uma tensão maior de espera dos seus esforços de campanha. Os eleitores já estão sendo identificados pela biometria diminuindo sensivelmente as fraudes. Mas, nem sempre foi assim. Sou do tempo em que a vitória ou a derrota dos partidos e candidatos só era conhecida após três dias, no caso de Camocim. A central de apuração era no então prédio do INPS e a contagem era feita voto a voto, nas cédulas de papel, e as diferenças transmitidas por meio de bilhetes jogados do alto para a população que se aglomerava nas imediações ou então pelos informes dos repórteres das rádios ligadas aos grupos políticos Cara Preta e Fundo Mole - Radio União e Pinto Martins, respectivamente. Quando um partido se distanciava na contagem, o desânimo tomava conta dos radialistas do partido que estava perdendo e as atualizações dos resultados para estes, eram um verdadeiro calvário a ponto de desistirem antes de finda a apuração. Mas se voltarmos ao inicio do século XX, as eleições não tinham essa exploração midiática. Os resultados eram praticamente feitos nas alcovas das repartições públicas, à bico de pena, como se dizia antigamente, por pessoas ligadas ao partido que estava no poder. Embora com caráter anedótico, o jornal A Esquerda de Sobral de 1919, traz um episódio escrito na coluna Respingos, assinada por um certo H.M, que ilustra bem como foi decidido os destinos políticos de Camocim naquele ano, mas que serve para qualquer lugar. Diz o nosso colunista:
 - Senhor coronel o homem foi derrotado barbaramente: gemeu o escriba.
-Quantos votos a mais?
-Duzentos, afora as cédulas rasgadas.
-E você fez o que seu palerma.
- O que pude. O pessoal do cemitério votou todo, mas falta ainda gente e a cabeça não ajudou.
- Tolice homem. Vamos. Escreva lá: João Silva.
- Já votou: Tartamudeou o outro.
- Pancrácio Pimenta.
- Serve.
            Os nomes sucederam-se numa cantilena monótona até de manhã quando o coronel inquiriu:
- Uns dois,
- Ponha lá!
- Não posso mais estou com a munheca dormente.
            O coronel escreveu os nomes restantes e o candidato situacionista foi eleito...

            Se pudessem, com certeza ainda haveria políticos que usariam deste expediente.

Fonte: Jornal A Esquerda. Sobral, 1919.

sábado, 27 de setembro de 2014

IV SC 07 - O FAROL DO CAMOCIM ANTIGO


Farol Trapiá - Camocim-Ce. 1968. Fonte: Marinha do Brasil

Esse era o nosso antigo farol, o sinalizador para uma chegada segura ao nosso porto e à nossa cidade via Oceano Atlântico. No final dos anos 1960, no entanto, a sólida casa do faroleiro que ficava ao lado, já estava em ruínas. Muitas histórias são contadas desse lugar ermo do Camocim de então que chegaram inclusive às páginas da literatura através da pena irretocável do nosso escritor maior Carlos Cardeal. Histórias de amores secretos e outros nem tanto, de assassinatos e até de assombrações aliados às lendas indígenas fizeram deste local, um ponto exótico e até maldito. É só conversar com moradores e pescadores mais velhos que eles sempre terão uma história para contar sobre o nosso antigo farol. Hoje, no entanto, a força dessas histórias e lendas vão perdendo sua força. No local, um outro farol foi construído e é mantido pela Marinha do Brasil, guiando ao abrigo do continente nossos bravos navegantes. 




terça-feira, 23 de setembro de 2014

IV SC 06 - O LIVRO DIDÁTICO DE CAMOCIM

Capa do Livro Historiando Camocim. Autor: Luis Carlos Lima.
Foto: Robervaldo Monteiro


             Inicialmente, gostaríamos de pedir licença aos leitores para publicarmos algo relacionado á nossa pessoa, posto que a intenção do blog é registrar e interpretar fatos da história de Camocim. Todavia, o assunto de hoje acaba por conter essas duas dimensões e ficou impossível não falar de um projeto que acalentamos durante muito tempo e que agora vem à lume. Trata-se do Projeto Historiando Camocim que tem como finalidade maior a elaboração de um livro didático sobre a História de Camocim. Efetivamente, amanhã, 24 de setembro de 2014, na 4ª CREDE, a partir das 8:00h, estaremos prestando contas desse projeto junto aos professores de história da rede municipal de ensino, gestores e demais autoridades, apresentando e entregando o resultado final em sua primeira versão. No entanto, é preciso historicizar um pouco este momento. Depois de algumas tentativas frustradas junto a quem de direito em tempos passados, apresentamos nosso projeto à atual administração através da Secretaria da Educação que de pronto sinalizou positivamente. Feitos os procedimentos burocráticos, lançamo-nos na formação da equipe e durante oito meses de trabalho, chegamos a uma versão final do que será o protótipo do  livro que será publicado e utilizado nas escolas municipais no próximo ano. Aliado a este trabalho, realizamos três encontros de formação com os professores da rede municipal no sentido de trocarmos ideias, receber sugestões e construirmos coletivamente o produto. Foram momentos ricos e interativos. Ainda teremos dois meses pela frente para fazermos os ajustes e detalhes finais, próprios da elaboração de qualquer obra literária. Voltando ao livro, o mesmo constará ainda de um Manual do Professor para auxiliar e orientar os docentes no desenvolvimento dos conteúdos. Por falar em conteúdo, a obra constará de seis capítulos a saber: Capítulo Primeiro - Origens Históricas; Capítulo Segundo - Estrutura Administrativa e Política; Capítulo Terceiro - Economia e Trabalho; Capítulo Quarto - Cotidiano e Cultura; Capítulo Quinto - Educação e Religião e Capítulo Sexto - Patrimônio Histórico e Cultural. Um aviso: este é apenas um livro e, por ser didático e destinar-se ao público específico do Ensino Fundamental II, tem suas limitações de conteúdo e espaço. Temos consciência de que muito da nossa história não foi contemplado por estes motivos. Portanto, aos professores deve servir, antes de tudo como mais um recurso para suas aulas, como ponto de partida para a descoberta e construção de outras histórias. Por fim, agradecemos a todos que contribuíram de alguma forma para que chegássemos ao intento pretendido e podermos dizer que finalmente Camocim tem seu livro didático.

sábado, 20 de setembro de 2014

IV SC 05 - PATRIMÔNIO FERRO PORTUÁRIO DE CAMOCIM - ÁREA DE PROTEÇÃO

Fonte: IPHAN/Ceará.



Na postagem anterior falamos do estudo que instruiu o tombamento do Complexo Ferro Portuário de Camocim. Hoje, falaremos sobre o que seria a área tombada prevista para a criação de um Parque Ferroviário dentro desse complexo, conforme mostra a foto acima. A área seria a circundada em vermelho na foto. No texto de instrução elaborada pelo Iphan temos:

Memorial descritivo de um imóvel situado na Esplanada de Camocim, Centro, no município de Camocim, pertencente ao acervo da Rede Ferroviária S.A.- RFFSA (extinta), patrimônio 1020008/8-000, denominado Esplanada Camocim, registrado no Cartório André- 2° Ofício, Matrícula 1.756, Livro 2- F, Fls. 35, de 30.06.1993, com desmembramento da área destinada alienação através de edital, conforme planta de situação em anexo, cujas confrontações são as seguintes: 

Ao Norte (Frente): Segmento 1-16, mede 36,00m, limita-se com a Praça Vicente Aguiar (anteriormente denominada 7 de Setembro); Segmento 14-15, mede 238,00m, limita-se com a Rua General Tibúrcio;

Ao Sul (Fundos): Segmento 9-10, mede 29,00; limita-se com a área a ser desmembrada, pertence a RFFSA; Segmento 11-12, a Rua Boa Vista (Bairro Salgadinho).

Ao Leste (Lado Direito): Segmento 1-2, mede 70,00m, Segmento 4-5, mede 16,00m, Segmento 5-6, mede 35,00m, segmento 6-7, mede 5,50m, Segmento 7-8, mede 81,00m, limita-se coma Rua dos Coqueiros e Segmento 10-11, mede 214,00m, limita-se com a área a ser desmembrada, pertencente a RFFSA.

Ao Oeste (Lado Esquerdo): Segmento 12-13, mede 22, 00m, Segmento 13-14, mede 160,00m, limita-se com a Rua 24 de maio.


No terreno encontram-se erigidas as seguintes edificações:
-       Estação Ferroviária de Camocim, com área construída de 2.104,24 m² , em bom estado de conservação;
-       Residência do Diretor Geral, com área construída de 439,87 m², em regular estado de conservação;
-       Residências do Inspetor, Agente e Mestre de Linha, com iguais áreas construídas de 194,36m² em regular estado de conservação;
-       Galpão atrás da Estação Ferroviária, com área construída de 393,62m², em precário estado de conservação;
-       Galpão à Esquerda da Estação Ferroviária, com área construída de 238,76m², em ruínas;
-       Oficinas, com área construída de 3.701,84 m², em ruínas;
-       Residência do Mestre das Oficinas, com área construída de 235,31m², em regular estado de preservação;
-       Caldeira, com área construída de 17,94m², em ruínas.

-       Almoxarifado com área construída de 1.005,72 m ², demolido.

Ainda segundo o documento, recomenda-se criação de um parque na área tombada. Na próxima postagem apresentaremos mais detalhes da proposta de tombamento.

Fonte para citação: Texto Base de Instrução de Tombamento. Iphan-CE, p.17.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

IV SC 04 - MESTRE CAZUMBI E O FUTEBOL DE CAMOCIM

Antonio Pereira da Silva - Mestre Cazumbi. Foto: camocimonline.com
Em Kimbundu, língua nativa da Angola, Cazumbi significa um "pequeno zumbi" ou "filho de Zumbi". É nome também de uma badalada banda de rock africana. Para nós camocinenses é sinônimo de um pequeno grande homem que viveu sua simplicidade ao extremo. Ele foi um verdadeiro Mestre, pois ensinou aos jovens de Camocim, o pouco e o tudo que sabia no futebol e na música. Tenho para mim que depois que o Campo do Maguary foi loteado pela especulação imobiliária, Cazumbi começou a morrer aos poucos. Mesmo assim, fez do Campo do Tapete Verde sua segunda casa. Em 2007 fui entrevistá-lo em sua casa e o encontrei lavando o uniforme do seu time. Entre lembranças, momentos de tristeza estampados no rosto, mas também de boas  gargalhadas, passamos boa parte da manhã conversando. Na saída, uma constatação, aquele homem estava precisando de quem conversasse com ele. Em sua homenagem reproduzimos o que escrevemos naquela oportunidade e que está no nosso livro "Entre o Porto e a Estação..." a ser lançado no próximo dia 24 de setembro em Camocim:
"Antônio Pereira da Silva, o Mestre Cazumbi, além de músico, tem uma trajetória ligada ao esporte. Hoje aposentado, ainda tem fôlego para toda semana treinar jovens em campos de terra da periferia. Contemporâneo de Sebastião Marques, ele fez parte de uma geração onde se destacaram outros trabalhadores jogadores como Quebrado, Passaqui, Canoé, Expedito leitão, Zé Olhim, Linha Fina, Zé Maria, Pepeta, dentre outros. Na saudação de um cronista local, treinado em seus tempos de adolescente pelo Mestre Cazumbi, constatamos a importância de seu trabalho junto à juventude camocinense:
 '... foi de tudo no futebol: chegou a ser técnico da nossa seleção, com um desempenho razoável. Quem não passou pelas mãos do velho Cazumba? Acho que toda garotada teve suas primeiras noções de jogar bola com o ‘Guerreiro’. (...) mas já não tem a mesma garra de outrora, porém continua sendo um grande exemplo de desportista para os jovens.' [1]
            Mesmo no alto de seus 76 anos, quase cego e sem poder andar muito, ainda vamos encontrar o Mestre Cazumbi tocando sua tuba nos eventos religiosos e festivos da cidade. Duas ou três vezes na semana, leva seu material de treino para o campo do Tapete Verde para não deixar o time do Maguary morrer. Mesmo sem o reconhecimento e apoio das entidades esportivas locais, ele continua sendo aquele tipo de pessoa que deixou o esporte entranhar nas veias, sendo o faz-tudo do seu time: dono, treinador e roupeiro."
            Ao Mestre Cazumbi, com carinho... descanse em paz!




FONTE: [1] “O Velho Cazumba”. Aradi Silva. O Literário. Ano III, Edição 18, julho de 2001, p.4. Camocim-CE. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

IV SC 03 - O PATRIMÔNIO FERRO´PORTUÁRIO DE CAMOCIM

Capa do Estudo para tombamento Federal do Complexo Ferro-portuário de Camocim. Fonte: IPHAN/Superintendência do Ceará.


Olhe bem para esta imagem! Imagine o mar chegando em dias de ressaca lamber os batentes da Estação Ferroviária; a orla marítima sem nenhum paredão a sufocar as ondas; os trabalhadores da beira da praia afundando os pés de pescadores no areal quente. É isto que a imagem nos traz imediatamente, esta orla quase virgem que se desabrochou para o mundo na passagem do século XIX para o XX. De lá para cá, várias intervenções foram feitas no espaço urbano de Camocim que se avolumou com a chegada da Estrada de Ferro de Sobral. Hoje, no século XXI, sobram resquícios, vestígios e memórias de um passado, que podem ainda ser ressignificados, preservados e até tombados. É isso de que trata o estudo feito pelo IPHAN em 2009 visando o tombamento federal do ficou convencionado como Complexo Ferro-portuário de Camocim. Como sabemos, do que restou, apenas a Estação Ferroviária de Camocim está tombada pelo patrimônio estadual do Ceará. Esta imagem é a capa do referido estudo, que pretendemos mostrar  e analisar numa série de postagens, com imagens inéditas.  O processo de tombamento está nesta fase de estudos e torcemos para que ele se conclua o mais rápido possível para que possamos ter um espaço revitalizado, reutilizado e ressignificado e, o mais importante, referenciador de nossa história recente.